A colonização da paleontologia. 8 (2022)

Em 2020, cientistas brasileiros descobriram, através de um artigo científico internacional, que um fóssil brasileiro estava na Alemanha. Era o fóssil de um animal até então desconhecido, o Ubirajara jubatus, espécie importante por ser o primeiro dinossauro não aviano com penas descoberto no Hemisfério Sul. Mas como esse fóssil saiu do Brasil, atravessou o oceano e foi parar na Europa?

Muitos paleontólogos europeus viajam para países mais pobres para fazer escavações, já que a descoberta de novas espécies é muito valorizada no meio científico. Quando um fóssil é descoberto, geralmente é levado para museus e institutos de pesquisa do exterior onde são realizados estudos científicos sem a participação de pesquisadores locais.

Apesar de ser uma prática antiga, que ocorre desde os tempos coloniais, ela desagrada a comunidade científica de países pobres e é ilegal em muitos países, inclusive no Brasil. Por isso, cientistas brasileiros resolveram dar um basta e denunciar o roubo do fóssil do Ubirajara jubatus. O resultado desta denúncia foi muito positivo. Milhares de usuários das redes sociais se sensibilizaram e ajudaram a subir a #UbirajaraBelongstoBR (Ubirajara pertence ao Brasil), junto de desenhos do animal pré-histórico realizados tanto por desenhistas de cartoon quanto por paleontoartistas profissionais.

Apesar de inúmeros esforços, o museu alemão Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe, onde o fóssil se encontra, se recusa a devolvê-lo. Para acompanhar melhor a situação e a discussão sobre a decolonização da paleontologia, acompanhe mais esta edição da Manga de Vento!