A declaração de um procurador do Pará. nº 26 (2019)

No final de novembro passado, Ricardo Albuquerque, que é procurador do Ministério Público do Estado do Pará, disse em uma palestra que: 

“Esse problema da escravidão aqui no Brasil foi porque o índio não gosta de trabalhar. Até hoje.”

Em seguida, o procurador continuou:

“O índio preferia morrer do que cavar mina, do que plantar para os portugueses. E foi por causa disso que eles (colonizadores portugueses) foram buscar pessoas nas tribos lá na África para vir substituir a mão de obra do índio aqui no Brasil.”

Divulgada nas redes sociais, a afirmação foi muito criticada, porque expressa uma visão racista e preconceituosa dos indígenas. O Ministério Público do Pará, que é onde trabalha Ricardo Albuquerque, escreveu uma nota comunicando à população que essa é uma opinião pessoal do procurador. O órgão também abriu um processo administrativo, que é quando os chefes se reúnem para analisar uma atitude incorreta de um funcionário público. Enquanto não chegam a uma conclusão, Ricardo Albuquerque ficará afastado de suas funções.

Além de preconceituosa e ofensiva, a opinião do procurador é historicamente equivocada. No início do século XVI, quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas foram sim escravizados, obrigados a explorar o pau-brasil e a trabalhar no plantio de especiarias que enriqueceram os colonizadores. Foi por volta de 1539 que essa mão de obra começou a ser pouco a pouco substituída pelo trabalho forçado de africanos. 

Mas se foi assim, como surgiu essa imagem estereotipada dos indígenas? 

Por que os colonizadores portugueses preferiram trazer africanos para serem aqui escravizados do que continuar utilizando o trabalho forçado dos indígenas que já moravam no Brasil antes mesmo do país se chamar assim? 

Quer saber mais sobre esse assunto? Siga as pistas:

De onde surgiu o estereótipo do índio preguiçoso?

A guerra biológica

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