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Retrospectiva 2019. Nº 1 (2020)

No ano passado, fizemos uma retrospectiva de 2018 que foi super legal! Conversamos com crianças de muitos lugares: moradoras do Rio de Janeiro, da Itália, de uma comunidade ribeirinha no Amazonas, de Belo Horizonte e da Colômbia.  

Essas conversas nos fizeram pensar sobre várias coisas. Por exemplo: Será que as retrospectivas que aparecem nos jornais levam em conta os interesses das crianças? E será que elas contam também a história dos bichos? Os fatos do Brasil e do mundo, como guerras, terremotos e premiações internacionais de cinema, são mais importantes do que os acontecimentos pessoais? Por que, às vezes, as notícias ruins são mais lembradas do que as notícias boas? Quais fatos as crianças consideram que deveriam ser lembrados? 

Se você quiser ler a retrospectiva de 2018, clique aqui. Nela, você poderá também conferir se o que essas crianças esperavam de 2019 realmente aconteceu.

Bem, essa experiência foi tão legal que resolvemos repeti-la e ouvir as opiniões de outras seis crianças sobre o ano de 2019. 

Esperamos que você curta se lembrar do ano passado com a gente. Ah! E se você também quiser nos contar como foi o seu ano, os fatos que você considera mais importantes e o que você espera de 2020, escreva pra gente! Vamos adorar ouvir sobre o seu ano passado.

Alice, de Fortaleza, 10 anos

Miguel e Vini, de Belo Horizonte, 11 e 14 anos

Teo, de Barcelona, 12 anos

Nina, de Belo Horizonte, 10 anos

Tomás, de Montemor-O-Novo, 9 anos

Alice, de Fortaleza, 10 anos

 

Alice tem 10 anos e mora em Fortaleza, no Ceará. Ela conta que 2019 foi um dos anos “muito felizes de sua vida”. Ela participou de olimpíadas de natação e de matemática e fez novas amizades. Mas também aconteceram coisas ruins, como agressões verbais e físicas no colégio.

Essa menina, que adora ler, escrever e brincar, conta que adorou assistir aos teatros apresentados por sua prima e que também gostou muito de viajar para Minas Gerais, onde mora parte de sua família. 

Para Alice, no ano que se passou, os adultos comentaram principalmente sobre dois assuntos: idade e dinheiro. Sobre idade, sente que está crescendo, mas ao mesmo tempo sua família lhe diz que algumas questões ela só vai entender quando crescer. E a família parece ter razão, porque ela entendeu alguns assuntos comentados no ano passado, enquanto outros não compreendeu bem.

Sobre dinheiro, Alice tem ouvido por aí que a vida anda difícil e que o preço das coisas está aumentando demais. Ela também ouviu dizer que colocaram agrotóxicos nos vegetais e nas frutas.

Em 2020, ela entrará para o sexto ano e gostaria de participar de grupos de estudos, de leitura e de jogos. Quer começar a fazer aulas de piano, continuar nadando e passar de ano. Pensa também em realizar alguma coisa para que o mundo melhore, por exemplo, participando de algum projeto de reciclagem, porque se preocupa com o efeito estufa. 

Alice espera que 2020, como dizem por aí, “ultrapasse todos os limites da imaginação”!

 

 

Miguel e Vini, de Belo Horizonte, 11 e 14 anos

 

Miguel e Vini são dois irmãos que moram em uma comunidade de Belo Horizonte. 

Miguel destaca algumas boas lembranças de 2019. Lembra com carinho que ganhou sua primeira festa de aniversário com piscina, além de ter ganhado um notebook de presente. Nas férias, ele fez com a família uma viagem muito legal, para um hotel com piscinas e tobogãs. 

Ele se lembra também da festa das crianças que sua mãe organizou na rua em que moram, onde ele e as crianças da vizinhança se divertiram muito. Outro fato marcante foi a sua participação em um campeonato de basquete no clube em que ele treina.

Miguel também se recorda de alguns fatos tristes, como os dias que passou no hospital para fazer uma cirurgia de apêndice. Lembra-se também do vazamento dos rejeitos da barragem em Brumadinho (para saber mais sobre isso, clique aqui) e do incêndio no alojamento do Flamengo, chamado de Ninho do Urubu. Ocorrido em fevereiro de 2019, o incêndio matou dez adolescentes que eram atletas de base do time. 

Para 2020, Miguel deseja paz, outra festa de aniversário, não ficar internado de novo e ser aprovado no colégio. 

Assim como Miguel, Vini também leva boas lembranças de 2019, como ter passado de ano, ganhado um celular e uma bicicleta. Consultando a sua memória, ele também destaca a viagem que fizeram em família.

Dos episódios tristes, além do vazamento dos rejeitos da barragem de Brumadinho e do incêndio no alojamento do Flamengo, Vini destaca também a morte de um jornalista e de um apresentador de televisão. 

Para 2020, ele quer muita paz e saúde. Um de seus projetos para o ano que está começando agora é jogar um bom basquete no clube em que treina. 

Ah, e pra terminar, ele torce para que o Clube Atlético Mineiro não caia para a série B. 

 

 

Teo, de Barcelona, 12 anos

 

Teo é um garoto catalão que mora na cidade de Barcelona, na Espanha. Suas atividades favoritas são jogar futebol e videogame.

Ele considera que 2019 foi um grande ano, porque ele viveu uma mudança que não é fácil: a passagem para o primeiro ano do secundário, que é como o sexto ano do Fundamental 2 aqui no Brasil. Além de mudar de série, ele também mudou de escola e, nesse novo lugar, tudo é diferente. A antiga escola ficava em um bosque, enquanto a atual é na cidade. “Mais perto de casa, o que é uma coisa boa!”- explica. Por outro lado, agora ele tem mais horas de aula e mais atividades para fazer em casa, o que é bem difícil. 

Curtiu muito o ano de 2019, porque ele e seus amigos estiveram bem unidos e porque foi um ano cheio de novas experiências, como uma excursão de fim de ano com sua turma, em que ele e seus colegas dormiram em bangalôs. Teo acha que, sem comparação, a política foi o assunto mais comentado entre os adultos. “Sempre que vou a um lugar, estão falando de política!” – conta. E não é que ele não goste de política, ele se integra e tal, mas às vezes os adultos falam demais sobre esse mesmo assunto. Quando isso acontece, ele não presta muita atenção e só volta a conversar quando falam de futebol ou algum outro tema. 

Teo acha que 2020 não será um ano assim… diferente!, porque pensa que os anos não mudam muito. Ele espera de 2020 o mesmo que esperou de 2019, de 2018 e assim por diante. Para ele, o que conta não é o passar dos anos, mas do tempo. Sente que está mudando, que está crescendo, por isso, imagina que vai começar “a se autonomizar mais e ir mais por minha conta.” – explica.

 

 

Nina, de Belo Horizonte, 10 anos

 

Nina é uma garota que adora atuar, tocar piano, fazer trilhas de carro ou a pé, conhecer novas pessoas e também novos lugares.Seu cachorro Monk foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça quando pensou no ano que se passou. Ela já esperava ganhar um cachorro, porque há anos vinha pedindo um para seus pais. E no início de 2019, finalmente, chegou o Monk, que ganhou esse nome por causa de um músico de jazz chamado Thelonious Monk

Outra coisa boa que aconteceu em 2019 foi a mudança da cidade de São José dos Campos, no estado de São Paulo, para Belo Horizonte, em Minas Gerais. Boa assim, claro que ela sentiu bastante falta das amigas que ficaram em sua antiga cidade (e essa, aliás, foi uma parte não muito boa de 2019). 

Um fato ruim que aconteceu no Brasil foram as queimadas na Amazônia. (Se quiser saber mais sobre esse assunto, clique aqui).

Para 2020, ela espera conhecer novos lugares, novas pessoas e ir bem na escola.

 

Ah, e se você quiser conhecer quem é esse tal de Theolonious Monk, clique aqui:

 

 

 

Tomás, de Montemor-O-Novo, 9 anos

 

Tomás tem 9 anos e mora na cidade de Montemor-O-Novo, em Portugal.  Lá, ele explica, é mais frio, mas também mais quente.

Para Tomás, uma coisa bem legal que aconteceu na sua vida pessoal em 2019 foi que ele melhorou no futebol e até marcou dois gols. Outra coisa boa é que seus cachorros Azul e Raica estão vivos, estão bem e vão ainda viver alguns anos. Ele acha que não houve muitas coisas ruins em 2019, mas se lembra de algumas brigas e acha que isso vai melhorar em 2020.

Bom, agora falando do planeta, Tomás acha que uma coisa boa é que estão surgindo muitos projetos para melhorar o mundo, por exemplo, projetos para economizar água ou para ajudar os animais. Por outro lado, uma coisa ruim é que ainda acontecem guerras em alguns países. Ele conta que ouve os adultos comentando sobre essas coisas que acontecem, por exemplo, acidentes de carro, mas também coisas boas. 

Para 2020, ele espera marcar mais gols, que sua família, incluindo a Raica e o Azul, continuem saudáveis como estão. Aliás, ele deseja saúde para todas as pessoas e espera também que aconteçam menos guerras e que diminua a poluição. 

Em resumo, ele espera “menos de tudo que é ruim”. É que “no querer a gente pode tudo, né?!” – explica.

 

 

Expediente:

Texto: Cibele Carvalho

Ilustração: Livia Arnaut

Revisão de texto: Bernardo Romagnoli Bethônico

Diagramação de PDF: Clara Arnaut

Agradecemos à Alice, Vini, Miguel, Teo, Nina e Tomás.

 

A declaração de um procurador do Pará. nº 26 (2019)

No final de novembro passado, Ricardo Albuquerque, que é procurador do Ministério Público do Estado do Pará, disse em uma palestra que: 

“Esse problema da escravidão aqui no Brasil foi porque o índio não gosta de trabalhar. Até hoje.”

Em seguida, o procurador continuou:

“O índio preferia morrer do que cavar mina, do que plantar para os portugueses. E foi por causa disso que eles (colonizadores portugueses) foram buscar pessoas nas tribos lá na África para vir substituir a mão de obra do índio aqui no Brasil.”

Divulgada nas redes sociais, a afirmação foi muito criticada, porque expressa uma visão racista e preconceituosa dos indígenas. O Ministério Público do Pará, que é onde trabalha Ricardo Albuquerque, escreveu uma nota comunicando à população que essa é uma opinião pessoal do procurador. O órgão também abriu um processo administrativo, que é quando os chefes se reúnem para analisar uma atitude incorreta de um funcionário público. Enquanto não chegam a uma conclusão, Ricardo Albuquerque ficará afastado de suas funções.

Além de preconceituosa e ofensiva, a opinião do procurador é historicamente equivocada. No início do século XVI, quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas foram sim escravizados, obrigados a explorar o pau-brasil e a trabalhar no plantio de especiarias que enriqueceram os colonizadores. Foi por volta de 1539 que essa mão de obra começou a ser pouco a pouco substituída pelo trabalho forçado de africanos. 

Mas se foi assim, como surgiu essa imagem estereotipada dos indígenas? 

Por que os colonizadores portugueses preferiram trazer africanos para serem aqui escravizados do que continuar utilizando o trabalho forçado dos indígenas que já moravam no Brasil antes mesmo do país se chamar assim? 

Quer saber mais sobre esse assunto? Siga as pistas:

De onde surgiu o estereótipo do índio preguiçoso?

A guerra biológica

A resistência dos indígenas

A intervenção da Igreja Católica

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