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O amor ou os amores?

Pensando como o Voltaire, pode parecer que o amor é único, universal e natural nos seres humanos. Mas observando os costumes de tempos passados e de outras culturas, a gente percebe que existem e existiram muitas formas de amor, ou seja, que o amor é também uma criação da sociedade.

Por exemplo, algumas culturas, são poligâmicas, ou seja, permitem que uma pessoa se case com várias pessoas. Outras culturas, são monogâmicas e nelas, cada pessoa pode se casar com um marido ou mulher de cada vez.

Outro exemplo: Houve um tempo, em que os pais decidiam com quem os filhos iam se casar e o amor era considerado uma doença perigosíssima, que deveria ser tratada com medicamentos e terapias diversas. Com tantas proibições, não é de se estranhar que nessa época tenha surgido um tipo de amor que desafiava todas as normas sociais. Um exemplo é a clássica história de Romeu e Julieta, dois jovens proibidos de se casarem por causa de uma rivalidade entre as famílias Capuleto e Montecchio.

Pode parecer estranho, mas a ideia de se casar por amor é bem recente, historicamente falando. Foi no século XIX que esse modelo de casamento tomou força e cada indivíduo passou a ter o direito de decidir com quem queria dividir a vida. Por isso, quando você assistir a cena em que a Dama e o Vagabundo estão unidos por um espaguete, lembre-se de que nem sempre existiu o amor do jeito que a gente conhece. E que hoje ainda, espalhados pelos quatro canto do planeta, existem formas de viver o amor que a gente nem imagina!

 

 

 

 

 



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Um namoro do século passado

Nessa edição especial do dia dos namorados, fomos atrás de alguém que topasse nos contar uma história de amor, dessas que costumam amolecer até mesmo os corações mais embrutecidos. Quem se dispôs a nos ajudar foi a Dona Valéria, que, do alto dos seus 92 anos, conversou com a gente pelo Whatsapp sem embaraços.

O primeiro e único amor de Dona Valéria foi o Senhor Ezequias, com quem, aliás, ela se casou depois de alguns anos de namoro. Mas vamos começar essa história do começo, porque todos sabemos que é de praxe deixar o casamento para o final.

Os dois se conheceram no dia 22 de novembro de 1945, durante a inauguração do Cine Roxy, o primeiro cinema da então pequena cidade de Passos, no interior de Minas Gerais. Naquela ocasião festiva, ocorreu a apresentação de um espetáculo teatral em que o jovem Ezequias trabalhou como ator. Dona Valéria conta que a peça foi um grande sucesso e que ali mesmo ela se apaixonou por ele.

Naquele tempo, o namoro era bem diferente do namoro de hoje em dia. Quase tudo acontecia à distância, no “flerte”, como diziam antigamente. Funcionava assim:

As pessoas caminhavam em duas filas.

Uma que ia …

…e outra que voltava.
Quando os olhos de alguém da fila que ia,
se encontravam com os olhos de alguém da fila que voltava,
os dois iam virando a cabeça e…
virando a cabeça e…
virando a cabeça…
até o pescoço doer!

E com Dona Valéria e o Senhor Ezequias não foi diferente. Depois do flerte, o casal passou a escolher o canto da praça que era oposto à casa dela, onde podiam dar as mãos a salvo de qualquer vigilância.

E ainda teve uma terceira fase do relacionamento, que foi quando o casal começou a namorar na sala da casa de Dona Valéria. Mas não pensem que eles podiam ficar enfim sós. As irmãs dela ficavam penduradas em cima de uma cama do quarto ao lado, de onde podiam vigiar tudo. Teve até um dia engraçadíssimo em que desabaram – a cama e as irmãs-, fazendo um barulho danado! Foi nessa sala, possivelmente em um momento de descuido das irmãs, que aconteceu o primeiro beijo dos namorados. “Bem gostoso!” – lembra Dona Valéria -, “porque era como um fruto proibido.”

Bem, depois de flertar, ficar de mãos dadas na praça e namorar na sala, os dois resolveram se casar. Só que essa ideia causou um grande alvoroço, porque naquele tempo (e vai ver ainda hoje), os artistas não eram bem vistos.

“Onde já se viu, uma moça direita se casar com um artista!!!” – pensava a família de Dona Valéria.

Até o pai do Senhor Ezequias, que por ironia do destino teve um filho artista e um genro militar, vivia dizendo por aí:

“Com soldado e artista, nem o diabo quer transação”.

De nada adiantou a oposição das famílias porque, em 1950, Valéria e Ezequias se casaram na Matriz de São Bom Jesus dos Passos. Depois, eles se mudaram para Belo Horizonte, tiveram 7 filhos e viveram juntos até a morte do Senhor Ezequias, no dia 19 de novembro de 2014, ou seja, alguns dias antes de completarem 64 anos da inauguração do Cine Roxy.

Apesar disso, quando escutamos a história de Dona Valéria, fica claro que o Senhor Ezequias continua atuando no palco das lembranças de sua namorada.

Não é de emocionar?



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Um filme e um livro sobre o amor

Meu primeiro amor (My Girl) é o nome de um emocionante filme americano sobre a descoberta do amor pela menina Wada, de 11 anos, e seu amigo Thomas.

Se você gosta de filmes que fazem chorar (e muito!) no final e curte uma boa trilha sonora, esse filme é pra você!

  • Classificação indicativa: Livre

Uma Escuridão Bonita é um livro do escritor angolano Ondjaki que se passa quando a luz acaba e dois adolescentes ensaiam um primeiro beijo. As ilustrações de Antônio Jorge Gonçalves são bem bonitas e trazem para o livro a escuridão da noite que brinca de esconde e mostra.

  • Editora Pallas, 2013, 112 páginas



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Escuta Essa: uma playlist romântica

Nessa edição especial do dia dos namorados, perguntamos a dez músicos qual a sua canção de amor preferida. Aperte o play no final da seção para ouvir essa playlist de embalar o coração (ai, ai…):

Playlist

Vida de cachorro – Mutantes (indicada pelo percussionista e professor da UFSJ, Bruno Santos)

Wave – de Tom Jobim cantada por João Gilberto (indicada pelo violinista Paulo Sérgio Thomas)

Atração fatal – Ná Ozzetti (indicada pela educadora musical de jovens e crianças, Cris Brasil)

Chovendo na Roseira – Tom Jobim e Elis Regina (indicada pelo produtor musical, Chico Neves)

Sonho Azul – Né Ladeiras (indicada  pela violinista e professora da UFSJ, Sofia Leandro)

Eu, você e a praça – Odair José (indicada pelo vocalista da banda Dead Lover’s Twisted Heart, Guto Borges)

Tinha de ser – Leonora Weissmann (indicada pela cantora Leonora Weissmann)

Lola – Chico Buarque (indicada pela pianista e professora de piano da UFSJ, Carla Reis)

Noite – Mônica Salmaso (indicada pelo violonista e vencedor do prêmio BDMG Instrumental de 2010, Humberto Junqueira)

Nega Música – Itamar Assumpção (indicada pelo violonista e professor de violão Hique Guerra)

Faixas Bônus:

Antes – Alda Rezende (indicada pela editora de arte da Revista Manga de Vento, Livia Arnaut)

Se enamora – Tiê (editora de conteúdo da Revista Manga de Vento, Cibele Carvalho)

 

Pergunte ao psicanalista Christian Dunker

Falar sobre o amor dá uma vergonha danada, não é? Às vezes, a gente fica cheio de dúvidas e nem sabe com quem conversar. Pensando nisso, espalhamos caixinhas fechadas em quatro escolas de Belo Horizonte, para que as crianças e adolescentes colocassem ali suas dúvidas. Recebemos mais de cem perguntas incríveis e escolhemos algumas para que o psicanalista e professor da USP Christian Dunker respondesse.  Se preferir, coloque um fone de ouvido para você ficar mais à vontade e não deixe de escutar essa conversa incrível!!!

 

Expediente:

Texto: Cibele Carvalho

Ilustração: Livia Arnaut

Revisão de texto: Bernardo Romagnoli Bethônico

Convidado especial: Christian Dunker

Revisão

Agradecimentos: À Casa Viva (especialmente à professora Grazi), à Escola Balão Vermelho (Ivana Brito),  à Escola da Serra (professora Sara Villas), à Escola Miri Piri. À Fernando Marques e Ana Martins Marques, pela revisão do relato de Dona Valéria. Aos músicos Bruno Santos, Paulo Sérgio Thomas, Cris Brasil, Chico Neves, Sofia Leandro, Guto Borges, Leonora Weissmann, Carla Reis, Humberto Junqueira e Hique Guerra.



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Quizz: sobre o amor

O dia de São Valentim é...

Correct! Wrong!

Quem criou o dia dos namorados no Brasil foi...

Correct! Wrong!

O filósofo Voltaire definiu o amor entre os homens com a seguinte frase:

Correct! Wrong!

Marque a afirmativa mais correta sobre o amor:

Correct! Wrong!

Assinale a ideia que NÃO está presente na conversa com o psicanalista Christian Dunker:

Correct! Wrong!

Especial Dia dos Namorados nº 12 (2019)
PARA VOCÊ O AMOR É UM MISTÉRIO!
Releia o texto tentando pensar nas experiências do amor que você tem!
VOCÊ ESTÁ NO CAMINHO...
Ainda há o muito que aprender, mas você está atento e sabe que tudo tem o seu tempo.
VOCÊ É MUITO SENSÍVEL!
Você é uma pessoa que consegue compreender bem os sentimentos. Possivelmente, você aprendeu isso observando o comportamento humano, conversando, lendo livros, vendo filmes e percebendo o que você sente.

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Por que falar sobre as universidades? Nº 11 (2019)

Nas últimas semanas, o governo federal vem questionando o papel das universidades públicas brasileiras e a qualidade do trabalho desenvolvido nessas instituições.

O ministro da Educação Abraham Weintraub, por exemplo, afirmou que há muita balbúrdia na universidade. Balbúrdia é o mesmo que bagunça ou algazarra. Também surgiram pessoas dizendo que as universidades públicas fazem poucas pesquisas e que nelas só estudam alunos ricos.

Essas críticas serviram de justificativa para que o governo federal fizesse um corte de 30% nos recursos das universidades, produzindo um intenso debate e muitos protestos de parte da população.

 

A revista Manga de Vento traz algumas questões iniciais para te ajudar a acompanhar o assunto.

Sumário

O que é uma universidade?

Qual é a universidade mais antiga do mundo?

Como surgiram as universidades brasileiras?

Quem são os alunos das universidades públicas?

Algumas pesquisas desenvolvidas nas universidades brasileiras

Escuta Essa: Beach Boys

Pergunte à professora Regina Helena

 

O que é uma universidade?

Uma universidade, do jeito que conhecemos hoje em dia, é um lugar onde se produz conhecimento e onde são oferecidos vários cursos de nível superior.

Nível superior é a fase de ensino que vem depois do ensino médio, que por sua vez vem depois do ensino fundamental.

Essa fase é um pouco diferente das anteriores, porque nela o aluno escolhe um curso que deverá prepará-lo para a vida profissional. Assim, um estudante universitário pode cursar filosofia, se quiser ser professor dessa matéria; pode escolher medicina, se quiser se tornar médico; pode ainda fazer Belas Artes, se desejar ser artista ou estudar engenharia, se preferir se tornar um engenheiro, por exemplo…

Além do ensino, atualmente as universidades também desenvolvem duas outras atividades muito importantes, mas pouco conhecidas: a pesquisa e a extensão.

As pesquisas científicas produzem conhecimentos em diversas áreas e são valiosas para encontrar soluções para os problemas do país. Já as atividades de extensão são aquelas que têm por objetivo compartilhar com a população o conhecimento que é produzido: hospitais universitários, clínicas de atendimento psicológico, hospitais veterinários, museus, etc…

E essa é a maior diferença entre universidades e faculdades, já que as faculdades oferecem poucos cursos e quase sempre se dedicam apenas ao ensino.



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Qual é a universidade mais antiga do mundo?

Até o momento, a Universidade de Al Quaraouiyine, que fica na cidade de Fez, no Marrocos, vem sendo considerada a primeira universidade do mundo. Ela foi fundada no ano de 859 como uma mesquita dedicada ao estudo do islamismo, mas depois passou a oferecer outros cursos também.

Na Europa, a primeira foi a Universidade de Bolonha, na Itália, em 1088.  Naquele tempo, cursar uma universidade era um privilégio dos ricos, já que era preciso pagar (e muito!) para isso. Os estudantes interessados em estudar, se tinham condições financeiras para isso, se reuniam em pequenos grupos para dividir o custo de um professor. O conjunto desses estudantes, que cuidava de toda a organização dos cursos, era chamado de universitas scolarium e vem daí a palavra “universidade”.

Importantes personalidades estudaram na Universidade de Bolonha. Inclusive Nicolau Copérnico (1473-1543), o físico e matemático que teve seu trabalho censurado durante a Santa Inquisição, por defender que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário, como se acreditava na época.

Ao longo dos séculos, as universidades foram mudando muito, até chegarem ao modelo atual. Por exemplo, as universidades medievais quase não se dedicavam à pesquisa. Criada em 1808, a Universidade de Berlim, na Alemanha,  serviu de modelo para outras universidades modernas, que passaram a unir ensino e pesquisa.



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Como surgiram as universidades brasileiras?

Também em 1808, ou seja, no mesmo ano de criação da Universidade de Berlim, Dom Pedro I criou o Curso de Cirurgia, Anatomia e Obstetrícia, que hoje em dia pertence à Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Essa foi a primeira instituição dedicada ao ensino superior em terras brasileiras.

Mais tarde, foram criadas duas faculdades de Direito: uma em São Paulo (São Paulo) e outra em Olinda (Pernambuco). Mas a primeira universidade de verdade, com cursos em diversas áreas, foi a Universidade do Rio de Janeiro, atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criada em 1920.

Nos anos seguintes, várias outras universidades públicas foram criadas. A UFV, Universidade Federal de Viçosa, foi inaugurada em 1926 e um ano depois foi criada a UFMG, Universidade Federal de Minas Gerais. A USP, que é uma universidade do Estado de São Paulo, foi fundada em 1934.

Ao mesmo tempo que estas e outras universidades públicas foram sendo criadas, surgiram as instituições de ensino superior particulares, ou seja, que não eram do governo. De forma que, na metade do século XX, já havia mais instituições de ensino superior particulares do que públicas.

Atualmente, o Brasil possui centenas de universidades públicas e mais de duas mil universidades particulares. Mesmo assim, apenas 18% da população entre 18 e 24 anos frequenta uma instituição de ensino superior, o que é um número muito baixo…

Isso acontece porque, para cursar o ensino superior particular, é preciso pagar mensalidades. E para cursar o ensino superior público, que em geral oferece cursos mais bem avaliados, os alunos precisam fazer provas de seleção bem difíceis, já que existem poucas vagas.

Buscando enfrentar esse e outros problemas, em 2014 o Brasil criou 20 metas para melhorar a educação do país até 2024. Uma dessas metas é levar a educação superior a 33% dos brasileiros. Para conseguir isso, o Brasil vinha nos últimos anos oferecendo aos estudantes bolsas ou empréstimos para ajudá-los a pagar as mensalidades de universidades particulares (Prouni e Fies). Outra política adotada para aumentar o acesso da população ao ensino superior foi a criação de novas universidades, mas todas essas iniciativas anteriores têm sido muito criticadas pelo governo Bolsonaro.



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