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Escuta Essa: Elis Regina

Elis Regina  (1945-1982) foi uma grande cantora. Na verdade, ela foi considerada por muitos críticos como a maior voz feminina do Brasil.

Aos 11 anos de idade, Elis já cantava em um programa de rádio para crianças chamado O Clube do Guri, na Rádio Faroupilha da cidade de Porto Alegre.

Talvez você já até conheça a voz de Elis interpretando a música A Corujinha no álbum A Arca de Noé do Vinícius de Morais, mas não deixe de ouvir também O Primeiro Jornal, música boa para todas as idades.

Um passeio com Paul Klee. Nº16 (2019)

Está viajando pelo Brasil uma importante exposição do artista suíço Paul Klee (1879-1940). Outras exposições com obras do artista já aconteceram no Brasil, mas esta é a primeira exposição na América Latina que é retrospectiva.

Todas as mais de cem obras que passam por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte pertencem ao acervo Zentrum Paul Klee, um museu que fica na cidade de Berna, na Suíça. 

Você consegue imaginar como é atravessar o Atlântico com obras de arte preciosíssimas? Para custear o transporte e a segurança de todas essas obras, foi utilizada a Lei Rouanet, que é uma lei brasileira muito importante para a cultura.  

Funciona assim: um profissional das artes escreve um projeto de exposição, produção de filme ou montagem de teatro e o envia para uma comissão avaliadora formada pelo governo. Se o projeto for aprovado, essa pessoa pode pedir a uma empresa que ela envie parte dos seus impostos, que seriam pagos para o governo, diretamente para o projeto. 

Como o dinheiro vem de impostos da população, o governo exige uma contrapartida, ou seja, que o projeto seja do interesse da sociedade. No caso da exposição do Paul Klee, a população ganhou a oportunidade de ver de perto obras de um dos mais importantes artistas do século XX, em três museus do país, com entrada totalmente gratuita.

 

Confira abaixo a programação:

13/02 a 29/04/2019 – Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB)  de São Paulo 
15/05 a 12/08/2019 – Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro 
28/08 a 18/11/2019 – Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) de Belo Horizonte

 

Quer saber mais sobre essa exposição super bacana? Siga os pontos:

 

Primeiros anos do pequeno Paul

Paul Klee nasceu em Berna, capital da Suíca, em 1879. Ele era o caçula dos dois filhos de um casal de músicos. Hans, o pai, era professor de música e Ida, a mãe, era cantora. 

Klee aprendeu com os pais a tocar violino aos sete anos. Quatro anos depois, foi aceito na orquestra da Academia de Música de Berna. Obviamente, não era comum a participação de crianças em orquestras, o que mostra que ele era um violonista excepcional!

Além do violino, o pequeno Paul era apaixonado por uma caixa de giz de cera que ganhou de presente de sua avó Anna Catharina. Assim como tocar, desenhar passou a ser uma das suas atividades favoritas.

Na juventude, decidiu fazer faculdade de Belas Artes na Universidade de Munique, na Alemanha, país natal de seu pai. Ele também trabalhou tocando violino em uma orquestra.

 

Ao longo desta edição, você pode ouvir frases de Paul Klee na voz de Sofia Hood, de 11 anos. Clique abaixo:

 

 

 



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O casamento, o filho e as marionetes

Em 1906, Paul Klee se casou com a pianista Lily Stumpf e com ela teve um único filho, chamado Félix Paul. 

Enquanto Lily trabalhava dando aulas de piano, Paul trabalhava em casa, desenhando e cuidando do filho. As crianças alemãs daquele tempo adoravam o Kaspertheater, um teatro de fantoches com um protagonista de gorro vermelho de nome Kasper. Félix não era diferente, e a vontade de agradá-lo levou seu pai a confeccionar bonecos feitos de carretéis de linha, tomadas de eletrodoméstico, caixas de fósforo e ossos de boi.

No nono aniversário de Félix, ele ganhou os primeiros oito fantoches caseiros e um teatro. Em poucos anos, Paul criou cerca de cinquenta bonecos. Trinta deles estão preservados no Zentrum Paul Klee em Berna e cinco vieram para a exposição no Brasil.

 



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O nazismo e os anjos de Paul Klee

Nas primeiras décadas do século XX, Paul Klee assistiu com tristeza o surgimento e o crescimento do nazismo na Alemanha. O nazismo é uma forma política autoritária que acredita na superioridade de alguns grupos humanos. Na Alemanha nazista, por exemplo, judeus foram presos e mortos brutalmente, simplesmente por serem…judeus! Artistas e intelectuais que contestavam o governo também foram perseguidos. 

O mesmo aconteceu com Paul Klee, que teve seu escritório invadido pela polícia, tendo que provar que não era de origem judia. Ainda assim, sua obra foi considerada “degenerada” e ele teve que fugir da Alemanha e se exilar em seu país natal, a Suíça. Seus quadros foram confiscados dos museus alemães e passaram a ser ridicularizados.

Nesse período marcado pelo nazismo, pelas Guerras Mundiais e pelo pessimismo, Klee desenhou uma série de anjos tortos, desalinhados ou inacabados. Esses seres que, apesar de serem alados, não eram nada perfeitos, mostravam a decepção com a promessa de progresso da humanidade. Isso porque, mesmo depois de décadas de industrialização, avanços científicos e tecnológicos, os seres humanos tinham escolhido a intolerância e a guerra como solução para seus conflitos.

Para um filósofo alemão chamado Walter Benjamin, a tela Angelus Novus de Paul Klee mostra um anjo com olhos arregalados e boquiaberto. Benjamin acredita que se trata do anjo da história, espantadíssimo com as barbaridades que o ser humano comete na Terra! Armas de fogo, bombas, guerras, ambição desmedida… Apesar de ver tantas tragédias crescendo sob seus pés, o anjo não consegue pousar para impedi-las, porque sopra em suas asas um vento muito forte. Esse vento vem do paraíso, carrega o anjo para o futuro e seu nome é Progresso.



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Os gatos de Paul

Paul Klee considerava os gatos deuses extraviados na Terra. Ele teve vários gatos. Nuggi, Mys, Fripouille e Bimbo aparecem em suas fotos familiares.

Em cartas para sua mulher Lily, escritas quando ele esteve fora de casa para servir de força reserva na Primeira Guerra Mundial, Klee sempre pedia notícias de Fripouille, que tinha o apelido de Fritz. Em outro momento de ausência, escreveu cartas comoventes ao seu gato Bimbo.

Um colecionista estadunidense chamado Edward M.M. Warburg conta que, ao visitar o pintor, assistiu a uma cena engraçada. Bimbo pisou acidentalmente em uma das obras de Klee, mas, surpreendentemente, o artista não ficou bravo nem nada. Ao contrário, ele riu do acidente e disse que, no futuro, os críticos de arte iriam se perguntar como é que Klee teria conseguido um efeito tão inusitado.

Paul Klee morreu no dia 29 de junho de 1940, enquanto pintava A Montanha do Gato Sagrado, que tinha Bimbo como modelo.



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