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5 dicas para desenhar bem

Paul Klee deixou muitas anotações com ensinamentos sobre artes. Esses textos eram oferecidos aos seus alunos da Bauhaus, mas também aos estudantes da Academia de Artes de Düsseldorf, na Alemanha, onde ele também foi professor. 

Infelizmente, não podemos mais ser alunos de Klee, mas se você gosta de desenhar, pode praticar cinco dos exercícios que o artista propunha em suas aulas:

 

  • Leve a linha para passear

Paul Klee explica que os desenhos começam a partir de pontos que se reúnem e formam linhas, que juntas formam planos. Para ele, aprender a desenhar é como aprender a escrever: as letras vão se juntando em palavras e as palavras em frases. 

Por isso, é legal aprender a manusear as linhas, porque, como dizia Paul Klee:

 

 

  • Observe um aquário

Paul Klee tinha um aquário em casa e ensinava seus alunos a observar o movimento dos peixes, porque ele considerava a natureza uma importante fonte de inspiração. Piscando as luzes do aquário, ele fazia os peixes sumirem e reaparecerem em diversas posições. 

 

  • Desenhe o sistema circulatório

Observador da natureza, Klee estudava, por exemplo, os padrões de desenho das ramificações das plantas e dos cursos dos rios. Um exercício que ele propunha aos seus alunos era o desenho do sistema circulatório do corpo humano usando a cor azul e a cor vermelha para representar o sangue que viaja em direção ao coração e aquele que retorna de lá.

 

  • Compare o peso das cores

Só depois do estudo das linhas e das formas da natureza, Paul Klee trabalhava com seus alunos a cor. Ele sugeria que imaginassem o peso do amarelo, do azul, do vermelho ou do verde… Klee dizia que as pessoas não enxergam um quadro ou desenho de uma vez só. Ele dizia que o olho passeia pela imagem, guiado pelo peso das formas e das cores.  

 

  • Estude os grandes

Paul Klee dizia que, para aprender a desenhar ou pintar, é preciso estudar os grandes artistas. Esse estudo seria na verdade uma decomposição, ou seja, uma separação das partes da obra que levaria a entender como o artista conseguiu o resultado final. 

Por isso, se você tiver oportunidade de ir à exposição conhecer esse grande artista, não perca! 

Mas se não der, você pode conhecer os cadernos de Paul Klee digitalizados pelo Zentrum Paul Klee clicando aqui:

http://www.kleegestaltungslehre.zpk.org/ee/ZPK/BF/2012/01/01/001/?utm_medium=website&utm_source=archdaily.com.br

 

 



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Escuta Essa: playlist Paul Klee

Na vida e na obra de Paul Klee, a música desempenhou um papel muito importante. Contam que ele tocava violino todos os dias antes de começar a pintar ou desenhar. Tem até quem chegue a dizer que Klee pintava como um músico, imaginando uma melodia, um ritmo e colocando as formas e cores dentro de um tempo. 

Por isso, convidamos Daniel Fernandes, que é amigo da Manga de Vento e da música, para montar uma playlist inspirada no universo do artista.

Nossa dica é que você peça aos seus pais um adaptador de cabo na forma da letra Y para compartilhar com você a playlist, enquanto percorrem a exposição.

Você pode seguir a ordem dos quadros e da playlist, ou então fazer um percurso pessoal. Pode demorar mais em uma obra do que em outra, repetir ou pular uma música, fazendo o passeio no seu próprio ritmo. 

 

 

Pergunte a Mateus Mesquista

Mateus Mesquita é coordenador do Programa CCBB Educativo em Belo Horizonte e coordenador técnico do JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia. É ele quem conversa com o editorial mirim da Manga de Vento sobre a montagem da exposição do Paul Klee. Fizeram parte dessa conversa Nina Fonseca (10 anos), Ana Christo Ayres (10 anos), Catharina Portes (a Cath, de 9 anos), Laís Arnaut (7 anos) e Iara Lacerda (6 anos) e Samuel Alkmin (11 anos).

Aperte o play!

 

Expediente:

Texto: Cibele Carvalho

Ilustração: Livia Arnaut

Revisão de texto: Bernardo Romagnoli Bethônico

Áudios: Voz de Sofia Hood (11 anos) e frases de Paul Klee

Agradecemos a Daniel Fernandes, às crianças que participaram desta edição e aos responsáveis.

 

Continue para responder o quiz e testar seus conhecimentos sobre Paul Klee!


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Quiz: Paul Klee

Marque a opção correta:

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Marque a opção correta:

Correct! Wrong!

Marque a opção correta:

Correct! Wrong!

Marque a opção INCORRETA:

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São dicas de Paul Klee para desenhar bem, EXCETO:

Correct! Wrong!



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Almanaque do Chico. Nº 15 (2019)

No dia 21 de maio passado, o compositor e escritor Chico Buarque ganhou um  importantíssimo prêmio literário. Criado em 1988, o Prêmio Camões prestigia os melhores escritores da língua portuguesa. 

No texto de anúncio do ganhador do prêmio, o júri explicou que Chico mereceu o troféu porque a sua obra contribuiu para a formação cultural de diferentes gerações. Além disso, os jurados consideraram que a obra do artista é muito variada, já que ele escreveu romance, poesia e teatro. (Você deve se lembrar, por exemplo, do musical infantil Saltimbancos, que foi adaptado por Chico Buarque em 1977.)

Pois bem, em homenagem a esse artista, criamos um número inteirinho a partir de uma música do Chico chamada Almanaque, que tem uma letra cheia de questões interessantes, mas também bonitas. Escolhemos seis das perguntas propostas na letra para serem respondidas por seis convidados. 

 

Segue o rumo desse vento:

 

Escuta essa: Almanaque, Chico Buarque

O primeiro bezerro que berrou, mamava em que teta? – Meg Marques

Quem inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor? – Ana Elisa Ribeiro

Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou? – Alice Mendes Moura

Quem foi que fez o primeiro teto, que o projeto não desmoronou? – Fernando Marques

Quem pintou a bandeira brasileira, que tinha tanto lápis de cor? – Miriam Hermeto

Pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba? – Anna Cláudia Eutrópio

Quiz: Almanaque do Chico

Escuta essa: Almanaque do Chico

A música de Chico Buarque que escolhemos para esta edição especial de férias faz parte de um disco lançado em 1981 chamado Almanaque: disco de variedades

Um almanaque é um tipo de publicação semestral ou anual, que costuma trazer um calendário com datas importantes, poesias, mensagens, receitas e curiosidades.

Pois a letra do Chico está justamente cheia de perguntas curiosas que até parecem perguntas curiosas simplesmente, mas que são mais do que isso, sem deixar de ser também isso. É que, além de interessantes, as questões são colocadas de uma forma poética.

Escuta Essa e depois leia as respostas dos nossos convidados nas próximas páginas:

 

O primeiro bezerro que berrou, mamava em que teta?

Meg é o apelido de Maria Margarida Marques que é bióloga e
fez Mestrado e Doutorado em Ecologia Conservação e Manejo de Vida Silvestre pela UFMG.
Atualmente trabalha com consultoria ambiental e é professora universitária em São Paulo.
Tem duas filhas adolescentes.

 

Essa é uma pergunta engraçada que faz lembrar aquela charada: “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”

Para responder, vamos saber antes sobre a teoria da evolução por seleção natural, proposta pelo naturalista inglês Charles Darwin, que explica como e por que existem tantas espécies diferentes de seres vivos no mundo.

O conceito por trás da teoria é que os filhotes herdam dos pais várias das suas características, embora sejam sempre um pouco diferentes. Aquelas características que mostram melhor adaptação ao meio ambiente permitem que alguns filhotes sobrevivam mais que os outros, se alimentem melhor que os outros e tenham mais filhotes que, por sua vez, também vão herdar algumas características e passar adiante aos seus próprios filhotes. Assim, com o passar do tempo, gradualmente, cada geração de uma população de organismos vai ficando um tantinho diferente das gerações anteriores, até que a diferença fica tão grande que uma geração se torna uma espécie nova, diferente dos seus antepassados distantes.

Em relação à pergunta, podemos até imaginar que quando o Chico Buarque fez o verso, ele estava talvez pensando que, de uma geração para outra, a diferença já seria suficiente para um bezerro ser de uma espécie diferente de sua mãe. Mas não é bem assim.

Cada geração ainda é suficientemente parecida com as gerações anteriores mais próximas para ser considerada da mesma espécie. Só comparando com as gerações bastante afastadas no tempo é que alguma diferença seria percebida. Cada filhote é da mesma espécie que sua mãe e sua avó, mas talvez não da sua tatatatatatatatatatatataravó.

No entanto, há cerca de 6.000 anos atrás, quando os seres humanos decidiram tentar domesticar o gado selvagem que existia na Europa e na Ásia, eles apressaram um pouco as coisas.

As pessoas daquele tempo capturavam filhotes de um boi selvagem chamado auroque e os prendiam e isolavam até virarem adultos. Aí escolhiam aqueles que tinham as características que mais interessavam às pessoas: os mais mansos, os de chifres menores, os que cresciam e engordavam mais rápido. Apenas esses podiam se reproduzir e gerar filhotes. Esse processo se chama seleção artificial. Assim, os auroques domesticados foram ficando cada vez mais parecidos com os nossos bois atuais e cada vez mais diferentes dos auroques selvagens.

O primeiro bezerro que surgiu com todas as características da espécie que atualmente chamamos de Bos taurus, o gado doméstico, nasceu de uma vaca descendente dos auroques, já muito modificada, já praticamente uma vaca doméstica ela mesma. Dificilmente alguém conseguiria distingui-la de uma vaca comum.

Assim, podemos concluir que o primeiro bezerro que berrou, mamou na teta de uma vaquinha quase igual a ele, que veio de uma linhagem de animais selvagens que eram, estes sim, bastante diferentes.

O marido da Meg Marques, o publicitário Rubens Chácara, arriscou responder a mesma pergunta em forma de poesia. Clique na imagem para ler.

Quem inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor?

Ana Elisa Ribeiro é autora de vários livros para criança.
É linguista, formada em Letras/Português pela UFMG, doutora em Linguística Aplicada.
Professora do CEFET-MG.

 

Não é difícil de entender, vejam só: assim que o alfabeto foi inventado, as pessoas que sabiam como decifrá-lo ou lê-lo se tornaram, então, alfabetizadas. Aqueles que não sabiam lê-lo, então, se transformaram em analfabetos, isto é, são as pessoas que não sabem ler o alfabeto ou tipo de código escrito. Não existe só o alfabeto no mundo. Ele é um dos tipos de jeitos de escrever que um povo pode adotar ou inventar. Há outros muito interessantes, com jeito até de mais difíceis. Nós aqui, que usamos o alfabeto (esse que começa no A, passa pelo B – alfa, beta… – e chega até o Z, em vinte e poucas letras), somos também “analfabetos” em outros tipos de escrita, como a dos russos ou a dos japoneses, que nem é alfabeto, mas é um outro modo de escrever. 

Bom, os professores são essas pessoas que estudam e não apenas aprendem o alfabeto, mas devem usá-lo bastante. Eles são também as pessoas que devem ensinar o alfabeto a outras, tornando-as então alfabetizadas. Seria bem legal que todas as pessoas aprendessem a ler o nosso alfabeto, e vários outros jeitos de escrever, porque isso é importante em nossa sociedade. É um direito, não é uma chatice ou um favor. Os países, inclusive o nosso, fazem grandes esforços para que todos os cidadãos e cidadãs deixem de ser analfabetos desde pequenos, desde crianças. Você se lembra como foi aprender a ler? E a escrever? Muitas pessoas deixam de aprender as letras e como lê-las quando crianças, e crescem sem saber e depois podem ser alfabetizadas já mais velhas. Isso também é importante.

 Então: o alfabeto foi inventado e, ao mesmo tempo, apareceu a primeira pessoa que não sabia decifrar esse alfabeto, enquanto algumas outras sabiam. Como saber ler e escrever é bem importante em nossa sociedade, os analfabetos ficam em desvantagem, embora eles saibam fazer muitas outras coisas e se comuniquem perfeitamente com a voz. É justo e importante que todos possam decifrar ao menos o nosso alfabeto, em que várias línguas são escritas. O português, o inglês, o espanhol e muitas outras línguas diferentes são escritas com o alfabeto, as letrinhas que conhecemos. E com elas fazemos muitas coisas, nos comunicamos a distância, sem nem precisarmos estar nos lugares, juntos. A escrita é capaz de voar e de durar, até mais do que nós mesmos. Imagine só alguém que não pode escrever sequer um bilhetinho ou uma mensagem no WhatsApp? Quando o analfabeto ou a analfabeta deixar de ser isso, ele ou ela ganha um poder a mais na comunicação. 

 

 

Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou?

Alice Mendes Moura é  estudante de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

Trabalha com Medicina da família e da comunidade, além de ser cronista, palhacinha, e até ufóloga!

“Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou? Quem diz? Quem diz? Quem diz?” Digo sim! Ô se digo… Mas, primeiro, eu quero saber…

Alguém aí sabe o que é moleira? 

Quem já ouviu os avós dizerem para ter cuidado com ela?

E todo mundo tem moleira?

Sim, todo mundo – quando nasce – tem moleira, bem em cima da cabeça! “Moleira” é a palavra popular para o termo médico “fontanela”; e, na verdade, são fontanelas ou moleiras, no plural, já que existem seis: uma fontanela anterior ou bregmática; uma fontanela posterior ou lambdóidea; duas fontanelas mastóideas e duas esfenoidais!

“Nossa, mas quanto nome complicado!” Os nomes são mesmo, mas é fácil de entender. Pense em um neném, recém-nascido, que você já tenha visto. A fontanela principal, que é a mais comentada, corresponde à anterior ou bregmática. Ela fica bem ali na parte da frente da cabecinha do neném, onde é molinho, e os pais, tios e avós costumam pedir para não ficar encostando a mão… Essa parte mole é justamente a moleira, que nada mais é do que um espaço entre os ossos do crânio do neném.

“E tem problema encostar?” Tem não… Mas precisa ser de levinho mesmo, sem apertar ou fazer força! Isso serve para qualquer parte do corpo do recém-nascido. É tudo molinho mesmo, delicado, sensível… Inclusive as moleiras! Que existem para facilitar a saída do bebê na passagem do parto e para permitir o crescimento adequado do cérebro do neném!

Só que… As moleiras não ficam com a gente durante a vida inteira. Até por volta de dois anos de idade, todas já se fecharam e os ossos já se aproximaram. Daí em diante, o neném fica “cabeça-dura” igual a todos nós!

E agora? Vocês podem me ajudar a responder à música do Chico?

Quem trabalha no sol a vida inteira, nem podia mais rachar a moleira… Com dois anos de idade, todas já devem estar bem fechadinhas!

E que coisa, hein? Penar no sol a vida inteira… Pode isso? Pode não… Faz mal para a saúde! Inclusive, na Medicina, temos uma grande área de estudo chamada “Saúde do Trabalhador”, justamente para compreender e intervir na relação entre o serviço da pessoa e o impacto no próprio organismo!

Infelizmente, sabemos que penar no sol ainda é a realidade de muitos brasileiros, principalmente na zona rural. Então, o que é que nós da Medicina fazemos, se não é sempre que dá para pedirmos que o paciente mude de trabalho? Se ele precisa daquele trabalho para ganhar o pão de cada dia?

Pedimos pausas embaixo das árvores e construções. Pedimos para usar boné ou chapéu, do momento em que sai de casa, até a hora em que ele volta. Pedimos para usar filtro solar, evitando assim as doenças de pele. Pedimos para, quando o corpo cansar, não negar o descanso. Pedimos para não se esquecerem de ser gente. Homem do campo ou homem da cidade, não existe diferença. É todo mundo igual. É igual no trabalho, no cansaço, no amor… E o mais importante, na humanidade!

 

Me diz, me diz… Quem aí sabe o que significa a palavra humanidade?

Xiii, isso é conversa longa… Vai ficar para outro texto. Só sei que conto com a ajuda de vocês! Vamos juntos encontrar as “significâncias” da vida?!

Com amor,

Alice 

Quem foi que fez o primeiro teto, que o projeto não desmoronou?

Fernando Pimenta Marques é engenheiro arquiteto e urbanista.
Atualmente, a preservação do patrimônio cultural é a sua atuação principal.

Diz quem foi que fez o primeiro teto 
Quem fez o primeiro teto foi a primeira pessoa (ou bicho) que procurou abrigo
pra se proteger do que ameaçava cair sobre sua cabeça. Qualquer coisa se
torna teto a partir do momento em que alguém se coloca embaixo dela ou a
coloca sobre a cabeça. O complicado é a gente ficar sem teto!

Que o projeto não desmoronou
O destino do projeto é desmoronar. Todo projeto vai desmoronando a partir do
momento em que começa a ser executado. O projeto desmorona pra dar lugar
ao que foi projetado. Depois de construída a casa, o projeto só serve pra contar
sua história. O complicado é quando a casa desmorona!

Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto
Esse arquiteto e esse pedreiro foi quem teve a ideia, planejou, ajuntou tudo que
era necessário e construiu o que queria realizar. O complicado é quando
pedreiro e arquiteto não se entendem!

E o valente primeiro morador
Iniciar, ser o primeiro sempre exige coragem e valentia. Ao assumir um lugar
nós o transformamos, o que nos torna sempre os primeiros no cenário
construído. O complicado é não ser valente! Não querer ser o primeiro! Não
conseguir ser morador!

Aí a gente pede ao Chico Buarque pra escrever outra poesia.