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Quem pintou a bandeira brasileira, que tinha tanto lápis de cor?

Miriam Hermeto, professora de História/UFMG,
estuda canções brasileiras
e tem especial afeto pelas de Chico Buarque

Taí uma boa pergunta, dessas que qualquer um pode fazer, ao olhar para as cores vibrantes da nossa bandeira. Mas quem fez, desse jeito aí, foi o compositor Chico Buarque, que tem o hábito de brincar com as tradições brasileiras nas suas canções. Essa pergunta, que nos faz pensar sobre a história de um dos nossos símbolos nacionais mais conhecidos, é um verso da canção “Almanaque” – cheia de outras perguntas curiosas, sobre os temas mais diferentes!

Pra começar, a canção é uma brincadeira com os almanaques, publicações que eram muito populares há alguns anos. Eles começaram a circular com informações sobre os astros e os calendários. Depois, passaram a tratar também de datas comemorativas e personagens considerados importantes. E acabaram virando grandes livros de curiosidades, com respostas para perguntas sobre assuntos diversos. Daí, Chico Buarque exagera e imagina um almanaque com perguntas bem malucas.

 

É nessa pegada que ele brinca com a história da nossa bandeira. Um almanaque de verdade responderia: o primeiro projeto com essas cores é de 1822, quando o Brasil ficou independente. E, embora seja comum as pessoas dizerem que o verde representa as matas e o amarelo, o ouro, não é bem assim… Essas cores vivas representam as casas reais de Bragança e Habsburgo, do primeiro casal de imperadores brasileiros. Foram mantidas quando o Brasil virou uma República e a bandeira mudou, em 1989. Então, passaram a ser acompanhadas do azul celeste e das estrelas, que representam tanto o céu visto do Rio de Janeiro, quanto os estados brasileiros.

Nós poderíamos completar a resposta à pergunta do Chico: olha, essa bandeira foi colorida assim por muita gente. E por muita história!

Pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba?

Anna Cláudia Eutrópio é psicóloga, doutora em educação
e coordenadora do Nós e Voz

A música Almanaque do Chico Buarque busca respostas para perguntas que não têm uma explicação simples. No final da música ele pergunta: pra quê tudo começou quando tudo acaba? Fiquei pensando que ele devia estar sofrendo muito por uma história de amor que deve ter terminado, e possivelmente, por iniciativa da outra pessoa… E aí ele fica pensando: se essa história de amor acabou, o que eu vou fazer com todo esse amor que estou sentindo, mas que não vou poder viver, porque a outra pessoa não quer mais?  E aí a pergunta que fica: pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba? 

O amor não acaba, nem nossa capacidade de amar. O que muitas vezes termina são histórias de amor. E o final de uma história de amor é um momento de muita tristeza e incerteza. Questionamos o que vivemos, quem somos, o que queremos, tentamos construir sentido para toda a dor que estamos sentindo. E durante esse tormento chegamos a achar que todo o nosso amor irá para algum lugar que nunca mais acessaremos. É como se achássemos que nossa capacidade de amar fosse ser abduzida para uma outra dimensão e que nunca mais a gente vá conseguir amar de novo. E é normal sentir isso quando estamos sofrendo. Quando a ferida está aberta, a gente não consegue imaginar que algum dia ela vai cicatrizar. Podemos até passar algum remédio para tentar acelerar que a ferida cicatrize, mas só o tempo mesmo é que cura as dores do amor e que permite que a gente resgate nossa capacidade de amar. 

Nas questões do amor, artistas têm mais sabedoria que a psicologia. Músicas, poesias, quadros, filmes nos ajudam a encontrar respostas para o que nosso coração sente. Não sei pra onde vai o nosso amor quando o amor acaba, mas pra mim, quando estou sofrendo de amor, tem uma outra música que me ajuda. Chama Vento no Litoral, do Legião urbana. Tem um trecho que fala assim:

“Já que você não está aqui, o que posso fazer é cuidar de mim.”

Escuta essa também:

 

Expediente:

Edição de conteúdo: Cibele Carvalho

Edição de arte: Livia Arnaut

Textos: Cibele Carvalho, Meg Marques, Rubens Chácara Miguez, Anna Cláudia Eutrópio, Alice Mendes Moura, Miriam Hermeto, Fernando Marques e Ana Elisa Ribeiro

Ilustração: Livia Arnaut

Revisão de texto: Bernardo Romagnoli Bethônico

 

Continue para responder um quiz divertido sobre a música Almanaque!

 

Quiz: Almanaque do Chico

Marque a alternativa mais correta:

Correct! Wrong!

Questões do tipo "quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha" ou "em que teta mamou o primeiro bezerro" podem ser cientificamente respondidas pela:

Correct! Wrong!

O refrão da música Almanaque traz a seguinte pergunta: "Pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba?". Para Anna Claudia Eutrópio, onde seria mais possível achar essa resposta?

Correct! Wrong!

Marque a ideia que NÃO está presente na letra de "Almanaque" ou nos textos dos convidados desta edição da Manga de Vento:

Correct! Wrong!

Marque a pergunta que NÃO faz parte da letra da música Almanaque:

Correct! Wrong!

Um quiz sobre a música Almanaque do Chico Buarque Nº 15 (2019)
HUMMM...QUE TAL RELER ESSA EDIÇÃO COM UM ADULTO POR PERTO?
VOCÊ ESTÁ NA DIREÇÃO CERTA! CONTINUE OUVINDO CHICO BUARQUE! CONHECE UMA MÚSICA CHAMADA "VALSA DOS CLOWS"?
EXCELENTE! CONTINUE OUVINDO CHICO BUARQUE! CONHECE UMA MÚSICA CHAMADA "JOÃO E MARIA"?

O que é nióbio? Nº 14 (2019)

No final do mês de junho, foi publicado um vídeo em que o presidente Jair Bolsonaro falava que o metal nióbio poderia resolver os problemas econômicos do Brasil. 

Bolsonaro falou do Japão, onde acontecia uma reunião do G20, que é um grupo formado por líderes dos países com as maiores economias do mundo.

 

Por causa disso, o nióbio virou tema de debate. Em parte porque muita gente nunca tinha ouvido falar nele, mas também porque os especialistas alertaram que o metal não poderia resolver sozinho os complexos problemas econômicos do Brasil.

Quer saber mais sobre esse assunto? Segue a trilha…

 

Quem descobriu o nióbio?

Como o nióbio é utilizado?

Por que o nióbio é importante para o Brasil?

Quem foi Djalma Guimarães?

O nióbio pode resolver os problemas da economia brasileira?

Escuta essa: A pedra do gênesis

Pergunte à geóloga Poliany Figueiredo

Quizz sobre o nióbio

Quem descobriu o nióbio?

O nióbio é um metal que está presente na quinta coluna da tabela periódica, aquele quadro que apresenta e organiza os elementos químicos naturais e artificiais. 

Representado pelas letras Nb, ele é considerado um “metal de transição”, ou seja, possui a propriedade de tornar o aço ainda mais resistente e forte. 

O nióbio foi extraído pela primeira vez em 1801, pelo químico inglês Charles Hatchett, quando ele analisava rochas do Museu Britânico, em Londres. Como a amostra vinha dos Estados Unidos, país que naquele tempo era também conhecido como Columbia, Hatchett nomeou o metal de columbium.

Anos depois, o nióbio foi confundido com um metal chamado tântalo. Passaram décadas até que, em 1840, um professor da Universidade de Berlim (Alemanha) chamado Heinrich Rose desfez a confusão. Rose mostrou que, embora possam ser encontrados no mesmo mineral, o nióbio e o tântalo são metais diferentes. Depois dessa revelação de Heinrich Rose, o até então columbium foi rebatizado. Seu novo nome é uma referência a Níobe, personagem da mitologia grega que era filha de Tântalo, assim como o nióbio é, de certa forma, “filho” do tântalo.

Níobe é uma personagem da Mitologia Grega, filha de Tântalo e Dione e esposa de Anfião, rei de Tebas.

 

 

 

 

 

 

 

 



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Como o nióbio é utilizado?

Por ser resistente a altas temperaturas, o nióbio pode ser utilizado na fabricação de turbinas de avião, foguetes, mísseis e usinas nucleares. Além de possuir alta resistência térmica, o nióbio conduz bem o calor e é bastante resistente à corrosão, sendo por isso bastante adequado para a construção de reatores atômicos. O nióbio pode também ajudar a produzir veículos mais leves e que, por isso, consomem menos combustível.

Na medicina, ele é utilizado na fabricação de instrumentos cirúrgicos, de parafusos utilizados em ossos humanos e na fabricação de máquinas que fazem um exame de imagem chamado ressonância magnética.

Por ser alergênico, ou seja, não causar alergia, ele também pode ser utilizado na fabricação de bijuterias e piercings, mas isso não é muito comum.

 



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Por que o nióbio é importante para o Brasil?

 

 

O Brasil possui mais de 90% das reservas de nióbio conhecidas no mundo, mas o mineral também pode ser encontrado no Canadá, no Egito, no Congo, na Groelândia, na Rússia, na Finlândia e nos Estados Unidos.

As maiores reservas brasileiras ficam nos estados de Minas Gerais (cidades de Araxá e Tapira), Amazonas (São Gabriel da Cachoeira e Presidente Figueiredo) e Goiás (Catalão e Ouvidor).

 A reserva de nióbio da cidade de Araxá, em Minas Gerais, produz sozinha 75% da produção mundial. Ela foi descoberta pelo geólogo mineiro Djalma Guimarães, em 1953. 

 

 

 

 



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Quem foi Djalma Guimarães?

 

Djalma Guimarães foi um importante geólogo brasileiro nascido no estado de Minas Gerais, em 1874. Ele descobriu alguns novos minerais e deu a eles nomes em homenagem a cientistas importantes. Foi assim com a eschwegeíta, a arrojadita e a pennaíta.

Professor universitário e autor de muitas obras, Djalma foi também homenageado por companheiros de pesquisa que deram o nome de djalmita a um mineral encontrado na cidade de Brejaúba (MG).

A sua maior contribuição para o Brasil foi a descoberta, em 1953, de jazidas de nióbio, na cidade de Araxá (Minas Gerais). Sua obra foi até mesmo reco

nhecida  pela cientista polonesa Marie Curie (1867-1934), que o considerou o “príncipe dos geólogos”. 

 

Djalma Guimarães morreu em 1973.

 

 

 



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O nióbio pode resolver os problemas da economia brasileira?

Apesar de ter muitas aplicações e ser encontrado em abundância no Brasil, o nióbio pode ser substituído por outros minerais com propriedades semelhantes e que podem até custar mais barato.

Além disso, a quantidade de nióbio que o Brasil produz hoje já é suficiente para atender a necessidade (ou demanda, como dizem os economistas) dos outros países. Se o Brasil começar a produzir mais, o preço do nióbio pode cair e isso não é bom para o país.

 

Por fim, muitos especialistas alertam para o fato de que o Brasil exporta suas riquezas naturais e depois importa produtos prontos a um preço muito maior. Ou seja, melhor seria se o Brasil não apenas investisse na mineração, que inclusive muitas vezes traz problemas socioambientais, mas estimulasse a fabricação ambientalmente responsável de aviões, carros, máquinas de ressonância magnética, foguetes ou plataformas de petróleo.

E você? Já tinha ouvido falar do nióbio? Escreva pra gente!

 

 

 



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Escuta essa: A pedra do gênesis

O Escuta Essa desta edição traz uma música chamada A Pedra do Gênesis, do roqueiro brasileiro Raul Seixas (se quiser conhecer mais sobre o cantor, clique aqui).

A pedra de gênesis é uma rocha lunar trazida por astronautas da Apollo 11, nave que transportou o homem à Lua em 1969. Ela ganhou o nome do livro da Bíblia que narra a origem do mundo, porque estudos mostraram que essa pedra se formou há cerca de 4,5 milhões de anos, quando a Lua se solidificou.

Até hoje, cientistas do mundo todo se debruçam sobre essa rocha para saber mais sobre a origem e a formação do satélite natural do planeta Terra. (Se quiser saber mais sobre esse tema, leia essa reportagem.)

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