As raízes do artista chinês Ai Weiwei. Nº 3 (2019)

Uma exposição de arte muito importante está percorrendo algumas cidades do Brasil. A exposição se chama Raiz e apresenta obras do artista e arquiteto chinês Ai Weiwei.

Depois de passar por São Paulo, a exposição chegou a Belo Horizonte no dia 5 de fevereiro, onde fica até 15 de abril, no Centro Cultural do Banco do Brasil (o CCBB).  Após esse período, ela segue para o Rio de Janeiro, onde fica de 20 de agosto a 4 de novembro no CCBB carioca.

Ai Weiwei se tornou conhecido no mundo todo por trabalhar no projeto do Ninho dos Pássaros, apelido carinhoso do Estádio Nacional de Pequim, construído para os Jogos Olímpicos de 2008.

Photo by CEphoto, Uwe Aranas / © CEphoto, Uwe Aranas © CEphoto, Uwe Aranas

 

De lá pra cá, Ai Weiwei vem ganhando cada vez mais destaque nas notícias por causa de sua arte ativista, que é um tipo de arte que questiona os problemas da sociedade. Suas frequentes críticas ao autoritário governo chinês tiveram como resposta duras punições, como a prisão domiciliar do artista e a proibição de viajar para fora do país. 

Recentemente, Ai Weiwei conseguiu recuperar o seu passaporte, viajou para muitos países e ganhou exposições pelo mundo afora.

 

Quer saber mais sobre a arte e a história de Ai Weiwei? Siga nesse sentido…

 

A infância em um campo de trabalhos forçados

A juventude de Ai em Nova Iorque

De volta à China

Denúncias de Ai sobre o terremoto em Sichuan

Pergunte a quem entende: Com o diretor geral da Pinacoteca Jochen Volz

A juventude de Ai em Nova Iorque

Mesmo com a morte do ditador Mao, os artistas chineses continuaram a ser perseguidos. Em 1979, o governo da China prendeu o líder do Democracy Wall  Stars, um grupo de artistas ativistas do qual Ai Weiwei fazia parte.

Por causa desse episódio, Ai decidiu sair da China para estudar arte e design em Nova Iorque. Durante o período em que viveu na cidade, ele trabalhou como jardineiro, babá, cozinheiro e vendeu desenhos de pessoas na rua.

Além disso, ele sempre andava pela cidade com uma câmera e fotografava tudo o que lhe chamasse a atenção. A série de fotos produzidas por Ai Weiwei nesse período foram reunidas e estão expostas no Asia Society Museum de Nova Iorque.

De volta à China

Em 1993, Ai Weiwei voltou para a China, porque seu pai estava doente. Alguns anos depois, o poeta Ai Qing faleceu e Weiwei passou a se dedicar à prática tradicional chinesa que ele havia aprendido com o pai: a fabricação de móveis. Apesar de não ter estudado arquitetura, Weiwei construiu a sua própria casa e um estúdio no norte de Pequim.

Alguns anos depois, foi escolhido pelo governo de seu país para representar a China na Bienal de Veneza, uma exposição que reúne os artistas mais importantes do mundo. Acontece que seu trabalho desagradou muito as autoridades chinesas.

Diante das inúmeras tentativas de censura ao seu trabalho, em 2005, Ai criou um blog para postar críticas políticas, pensamentos sobre arte e textos autobiográficos.

Denúncias de Ai sobre o terremoto em Sichuan

Em 12 de maio de 2008, ocorreu, na província chinesa de Sichuan, um terremoto de magnitude 7,9 na escala Richter. Estima-se que esse terremoto, o mais violento no país desde 1976, fez mais de 87 mil mortos e feridos. Dentre as vítimas, somam-se mais de 5 mil crianças, já que muitas escolas desabaram. Esse fato chamou a atenção de Ai Weiwei para a má qualidade dos edifícios escolares construídos pelo governo chinês, já que esses prédios não contavam com as tecnologias de segurança para construções em áreas sujeitas a terremotos, como é o caso da China.

Diante dessa desconfiança, Ai Weiwei iniciou uma investigação que o levou a descobrir o desvio de uma grande quantia de dinheiro público que o governo chinês deveria ter usado na construção e na melhoria desses prédios. O artista também formou uma equipe para registrar em filmes as péssimas condições das regiões atingidas pelo terremoto.

E não parou por aí. Em resposta à falta de transparência do governo, que não queria revelar os nomes dos estudantes mortos, Ai recrutou voluntários para reunir informações sobre as vítimas e divulgou em seu blog o nome dessas crianças. Um ano depois, a lista já contava com 5.385 nomes publicados, além de textos e documentos conseguidos a partir da investigação de Ai. Como era de se esperar, o blog foi fechado pelas autoridades chinesas.

De 2010 em diante, Ai Weiwei já foi condenado à prisão domiciliar pela polícia chinesa, teve seu estúdio demolido, foi preso pela polícia secreta da China sem que ninguém soubesse em que presídio ele estava e ficou proibido de viajar para fora de seu país.

 

Em julho do ano passado, ele recebeu um passaporte e a permissão para voltar a viajar para o exterior. Desde então, Ai Weiwei já viajou para mais de 150 países e passou a refletir sobre a situação dos emigrantes em todo o mundo.  

 

E você? Já descobriu por que a exposição de Ai Weiwei se chama Raiz?

 

Pergunte a quem entende: Jochen Volz

Você já sabe…na seção Pergunte a quem entende levamos perguntas de crianças para um especialista no assunto responder.  Na edição três de 2019, convidamos cinco crianças para fazerem perguntas sobre uma obra de Ai Weiwei. A obra escolhida é uma sequência de três fotos em que o artista quebra um vaso da dinastia Han. Na exposição que percorre o Brasil, essas fotos foram recriadas com pecinhas de lego. Quem encarou o desafio de responder a meninada foi Jochen Volz, diretor geral da Pinacoteca de São Paulo.

Participaram dessa edição Ana Luisa Breseno (13 anos), Sofia Hood (10 anos), Maria Eduarda Breseno (11 anos), Laís Arnaut (6 anos) e Samuel Alkmin (11 anos). Como era período de férias, algumas crianças enviaram perguntas da praia por Whatsapp e Jochen respondeu lá da Suíça, onde estava participando de um congresso sobre arte. Clique abaixo pra escutar esse conversa intercontinental:

 

 

Expediente:

Texto: Cibele Carvalho

Ilustração: Livia Arnaut

Revisão de texto: Bernardo Romagnoli Bethônico

Crianças do editorial mirim: Ana Luisa Breseno (13 anos), Sofia Hood (10 anos), Maria Eduarda Breseno (11 anos), Laís Arnaut (6 anos) e Samuel Alkmin (11 anos)

Agradecimentos: Ana Martins Marques e Rodrigo Moura