Estado laico, o que é isso mesmo?* Nº 7 (2019)

No fim de fevereiro, os jornais noticiaram que Vélez Rodríguez, Ministro da Educação, indicou para trabalhar como secretária executiva do Ministério, que é o cargo mais importante depois do próprio cargo de ministro, uma pastora evangélica chamada Iolene Lima.

Na verdade, a religião do ministro e das pessoas que trabalham com ele não importa, já que essa é uma escolha pessoal. O que preocupou muita gente é que Iolene, que aliás já saiu do Ministério, defende uma educação baseada na palavra de Deus. Para ela, os alunos devem aprender que o autor da História é Deus, o realizador da Geografia é Deus e que o maior matemático foi Deus. Na proposta educativa da pastora, todas as crianças brasileiras devem estudar primeiramente pela Bíblia, que é o livro sagrado do Cristianismo, porque para ela, só seria possível educar bem “em Cristo”.

Esses episódios deixaram vários brasileiros preocupados. Será que a religião pode interferir no ensino de conteúdos científicos? Será que as crianças que não são cristãs vão se sentir bem nas escolas?

Rapidamente os jornais e os pesquisadores nos lembraram que o Brasil é um Estado laico. L-a-i-c-o.

Você já ouviu essa palavra? E sabe o que ela significa?

 

O que é Estado laico?

Como surgiu o Estado laico?

Todos os Estados são laicos?

Desde quando o Brasil é laico?

Por que a laicidade tem sido debatida?

Pergunte a Maressa Miranda

Escuta essa: Uma playlist para todos os gostos e crenças

Quizz

*O tema “Estado laico” foi sugerido por Otto Dayrel, que tem 11 anos e é leitor da Manga. Se você também quiser sugerir um tema, escreva pra gente.

Como surgiu o Estado laico?

É muito difícil saber quando nasce uma ideia, mas os historiadores consideram que o Estado laico surgiu com a Revolução Francesa (1789-1799). Se formos resumir, em poucas linhas, o que se passou nesse episódio, seria assim:

Antes da Revolução, a França era uma Monarquia Absolutista. A Igreja era rica e poderosa e os nobres viviam em castelos suntuosos, servidos por inúmeros criados e cheios de mordomias.

Acontece que veio uma crise econômica e a população, que já era pobre e cheia de impostos para pagar, ficou ainda mais pobre e cheia de impostos para pagar. O povo sentia que toda essa situação de desigualdade era uma grande injustiça e a indignação contra a monarquia e a Igreja crescia dia após dia.

Depois do fracasso de algumas iniciativas para resolver o problema através de assembleias e votações, ou seja, de forma pacífica, veio uma revolução popular violenta que levou muito nobre à guilhotina, inclusive o próprio rei.

Além disso, os franceses já tinham sofrido com muitas guerras por causa de disputas religiosas e alguns filósofos iluministas, como Rousseau, Montesquieu e Voltaire,  passaram a defender que a solução para esses conflitos era a luz do conhecimento, capaz de deter o obscurantismo, a intolerância e a tirania.

E foi assim que a Revolução Francesa provocou, além de muitas mudanças, a separação entre o Estado e a Igreja na França.


Esse conteúdo é exclusivo. Para ter acesso, assine aqui.

Escuta Essa: Uma playlist para todos os gostos e crenças

Frase do personagem Riobaldo no romance Grande Sertão Veredas, do escritor brasileiro João Guimarães Rosa.

 

O Escuta Essa dessa semana traz uma playlist com músicas brasileiras que fazem referência a diferentes religiões. Algumas vezes, é fácil perceber de que crença fala cada música. Em outras, essa tarefa se torna mais difícil por causa do sincretismo religioso brasileiro, que é a mistura entre as religiões. Topa tentar achar algumas dessas referências com a gente? Escuta essa: