Edição especial para o Dia dos namorados Nº 12 (2019)

Nas últimas semanas, as propagandas da televisão, do rádio e da internet nos lembraram que hoje, 12 de junho, se comemora o Dia dos namorados. Por isso, nós, aqui na revista, achamos que seria legal trazer as curiosidades ligadas a essa data comercial, mas também pensamos que seria uma boa oportunidade para falar sobre o amor. Ou sobre os vários tipos de amor.

Tem amor de irmão, amor entre namorados, amor entre pais e filhos, amor de amigo, amor pelo bicho de estimação, amor pelo planeta, amor pela humanidade, amor de criança, amor de adolescente, amor de adulto e até amor de velhinhos.

Para pensarmos sobre todas essas formas de amor, foi muito importante contar com alguns convidados especiais: as mais de 100 crianças que participaram do editorial mirim, um time de músicos que nos ajudou a montar uma playlist sobre o amor, o psicanalista Christian Dunker e Dona Valéria, uma senhora de 92 anos, que gentilmente se dispôs a contar  a história do seu primeiro amor.

Sem mais delongas (que aqui quer dizer um tipo de enrolação no texto sem motivo), a verdade é que que estamos apaixonadas por essa edição da revista Manga de Vento.

Tomara que vocês também se apaixonem!

Quem inventou o dia dos namorados?

O que é o amor?

O amor ou os amores?

Um namoro do século passado

Um filme e um livro sobre o amor

Escuta essa: uma playlist romântica

Pergunte a Christian Dunker

Quizz: Especial Dia dos namorados

Quem inventou o Dia dos namorados?

Na Europa e nos Estados Unidos, no dia 14 de fevereiro, é comemorado o dia de São Valentim. Nesta data, namorados e amigos trocam presentes, flores ou cartões, a depender dos costumes de cada país.

Contam que São Valentim foi um bispo que viveu em Roma, no século III. Naquele tempo, os romanos eram governados pelo imperador Claudio II, que havia proibido todos os jovens de se casarem, para que os rapazes pudessem se dedicar exclusivamente à vida militar.

Sensível ao sofrimento dos jovens diante dessa proibição desumana, fria, calculista e bélica, Valentim começou a celebrar, clandestinamente, casamentos de jovens impedidos de viver o amor. Não tardou para que o bispo fosse preso e sentenciado de morte. Há quem diga que, na prisão, Valentim se apaixonou pela filha do carcereiro, para quem escrevia cartas de amor belíssimas. Será? O que podemos afirmar com um pouco mais de certeza é que esse bispo romântico nem imaginava que ia se tornar um personagem emblemático do amor em diversos países do mundo.

No Brasil, essa data comemorativa chegou em 1948. Foi assim: Um publicitário chamado João Doria, que vem a ser pai do atual governador de São Paulo, propôs a criação do Dia dos namorados em junho, mês em que os lojistas não vendiam muito. O dia escolhido foi o 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio, padroeiro do casamento na cultura popular brasileira. Atualmente, o Dia dos namorados é a terceira data de maior venda no Brasil, perdendo apenas para o dia das mães e o Natal.



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O que é o amor?

É claro que existe o amor entre os amigos, o amor pelo lugar em que a gente nasceu ou vive, o amor pelos animais de estimação e o amor entre irmãos, tão diferente do amor pelos nossos pais. Mas existe também um tipo de amor que sentimos no corpo: faz o coração bater, a boca secar e a perna tremer. E é sobre esse último tipo de amor que vamos falar agora.

O filósofo francês Voltaire, que como todo filósofo vivia trabalhando em conceitos, escreveu no século XVIII um dicionário. Pois bem, o oitavo verbete deste dicionário é justamente sobre esse tipo de amor. Para explicar como esse sentimento acontece na espécie humana, Voltaire nos oferece uma imagem bem bonita. Ele diz assim:

 

Para desenvolver essa ideia, ele nos convida a observar o amor na natureza: O pardal e a pardal, o pombo e a pomba, o touro e a novilha. Os saltos e relinchos dos cavalos e das éguas quando se encontram. A respiração acelerada, as orelhas inquietas e os rabos chicoteando.

Mas apesar dessas demonstrações de amor entre os animais, Voltaire diz que não devemos querer viver o amor como eles, porque apenas a espécie humana consegue tornar ainda mais bacana esse sentimento que a natureza nos deu.

Os seres humanos tomam banho, borrifam desodorante nas axilas, passam perfume nos pontos quentes do corpo. Nem muito, nem pouco. Escovam os dentes e cuidam do hálito. Penteiam os cabelos e vestem roupas bonitas. Tudo para viver o amor. Com esses exemplos, o filósofo conclui que o amor próprio é que garante o amor pelo outro.

Bem, o verbete poderia ter acabado aqui, em uma espécie de viveram felizes para sempre, mas Voltaire continua descrevendo um outro lado do amor humano. Justamente por não ser como o amor animal e por ser bordado de imaginação, no amor humano, quando o corpo amado se afasta momentaneamente ou vai embora, fica no lugar dele o corpo imaginado. E é por isso, explica Voltaire, que apesar de muito bonito, o amor na espécie humana pode também doer um pouquinho.



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O amor ou os amores?

Pensando como o Voltaire, pode parecer que o amor é único, universal e natural nos seres humanos. Mas observando os costumes de tempos passados e de outras culturas, a gente percebe que existem e existiram muitas formas de amor, ou seja, que o amor é também uma criação da sociedade.

Por exemplo, algumas culturas, são poligâmicas, ou seja, permitem que uma pessoa se case com várias pessoas. Outras culturas, são monogâmicas e nelas, cada pessoa pode se casar com um marido ou mulher de cada vez.

Outro exemplo: Houve um tempo, em que os pais decidiam com quem os filhos iam se casar e o amor era considerado uma doença perigosíssima, que deveria ser tratada com medicamentos e terapias diversas. Com tantas proibições, não é de se estranhar que nessa época tenha surgido um tipo de amor que desafiava todas as normas sociais. Um exemplo é a clássica história de Romeu e Julieta, dois jovens proibidos de se casarem por causa de uma rivalidade entre as famílias Capuleto e Montecchio.

Pode parecer estranho, mas a ideia de se casar por amor é bem recente, historicamente falando. Foi no século XIX que esse modelo de casamento tomou força e cada indivíduo passou a ter o direito de decidir com quem queria dividir a vida. Por isso, quando você assistir a cena em que a Dama e o Vagabundo estão unidos por um espaguete, lembre-se de que nem sempre existiu o amor do jeito que a gente conhece. E que hoje ainda, espalhados pelos quatro canto do planeta, existem formas de viver o amor que a gente nem imagina!

 

 

 

 

 



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Um namoro do século passado

Nessa edição especial do dia dos namorados, fomos atrás de alguém que topasse nos contar uma história de amor, dessas que costumam amolecer até mesmo os corações mais embrutecidos. Quem se dispôs a nos ajudar foi a Dona Valéria, que, do alto dos seus 92 anos, conversou com a gente pelo Whatsapp sem embaraços.

O primeiro e único amor de Dona Valéria foi o Senhor Ezequias, com quem, aliás, ela se casou depois de alguns anos de namoro. Mas vamos começar essa história do começo, porque todos sabemos que é de praxe deixar o casamento para o final.

Os dois se conheceram no dia 22 de novembro de 1945, durante a inauguração do Cine Roxy, o primeiro cinema da então pequena cidade de Passos, no interior de Minas Gerais. Naquela ocasião festiva, ocorreu a apresentação de um espetáculo teatral em que o jovem Ezequias trabalhou como ator. Dona Valéria conta que a peça foi um grande sucesso e que ali mesmo ela se apaixonou por ele.

Naquele tempo, o namoro era bem diferente do namoro de hoje em dia. Quase tudo acontecia à distância, no “flerte”, como diziam antigamente. Funcionava assim:

As pessoas caminhavam em duas filas.

Uma que ia …

…e outra que voltava.
Quando os olhos de alguém da fila que ia,
se encontravam com os olhos de alguém da fila que voltava,
os dois iam virando a cabeça e…
virando a cabeça e…
virando a cabeça…
até o pescoço doer!

E com Dona Valéria e o Senhor Ezequias não foi diferente. Depois do flerte, o casal passou a escolher o canto da praça que era oposto à casa dela, onde podiam dar as mãos a salvo de qualquer vigilância.

E ainda teve uma terceira fase do relacionamento, que foi quando o casal começou a namorar na sala da casa de Dona Valéria. Mas não pensem que eles podiam ficar enfim sós. As irmãs dela ficavam penduradas em cima de uma cama do quarto ao lado, de onde podiam vigiar tudo. Teve até um dia engraçadíssimo em que desabaram – a cama e as irmãs-, fazendo um barulho danado! Foi nessa sala, possivelmente em um momento de descuido das irmãs, que aconteceu o primeiro beijo dos namorados. “Bem gostoso!” – lembra Dona Valéria -, “porque era como um fruto proibido.”

Bem, depois de flertar, ficar de mãos dadas na praça e namorar na sala, os dois resolveram se casar. Só que essa ideia causou um grande alvoroço, porque naquele tempo (e vai ver ainda hoje), os artistas não eram bem vistos.

“Onde já se viu, uma moça direita se casar com um artista!!!” – pensava a família de Dona Valéria.

Até o pai do Senhor Ezequias, que por ironia do destino teve um filho artista e um genro militar, vivia dizendo por aí:

“Com soldado e artista, nem o diabo quer transação”.

De nada adiantou a oposição das famílias porque, em 1950, Valéria e Ezequias se casaram na Matriz de São Bom Jesus dos Passos. Depois, eles se mudaram para Belo Horizonte, tiveram 7 filhos e viveram juntos até a morte do Senhor Ezequias, no dia 19 de novembro de 2014, ou seja, alguns dias antes de completarem 64 anos da inauguração do Cine Roxy.

Apesar disso, quando escutamos a história de Dona Valéria, fica claro que o Senhor Ezequias continua atuando no palco das lembranças de sua namorada.

Não é de emocionar?



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Um filme e um livro sobre o amor

Meu primeiro amor (My Girl) é o nome de um emocionante filme americano sobre a descoberta do amor pela menina Wada, de 11 anos, e seu amigo Thomas.

Se você gosta de filmes que fazem chorar (e muito!) no final e curte uma boa trilha sonora, esse filme é pra você!

  • Classificação indicativa: Livre

Uma Escuridão Bonita é um livro do escritor angolano Ondjaki que se passa quando a luz acaba e dois adolescentes ensaiam um primeiro beijo. As ilustrações de Antônio Jorge Gonçalves são bem bonitas e trazem para o livro a escuridão da noite que brinca de esconde e mostra.

  • Editora Pallas, 2013, 112 páginas



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Escuta Essa: uma playlist romântica

Nessa edição especial do dia dos namorados, perguntamos a dez músicos qual a sua canção de amor preferida. Aperte o play no final da seção para ouvir essa playlist de embalar o coração (ai, ai…):

Playlist

Vida de cachorro – Mutantes (indicada pelo percussionista e professor da UFSJ, Bruno Santos)

Wave – de Tom Jobim cantada por João Gilberto (indicada pelo violinista Paulo Sérgio Thomas)

Atração fatal – Ná Ozzetti (indicada pela educadora musical de jovens e crianças, Cris Brasil)

Chovendo na Roseira – Tom Jobim e Elis Regina (indicada pelo produtor musical, Chico Neves)

Sonho Azul – Né Ladeiras (indicada  pela violinista e professora da UFSJ, Sofia Leandro)

Eu, você e a praça – Odair José (indicada pelo vocalista da banda Dead Lover’s Twisted Heart, Guto Borges)

Tinha de ser – Leonora Weissmann (indicada pela cantora Leonora Weissmann)

Lola – Chico Buarque (indicada pela pianista e professora de piano da UFSJ, Carla Reis)

Noite – Mônica Salmaso (indicada pelo violonista e vencedor do prêmio BDMG Instrumental de 2010, Humberto Junqueira)

Nega Música – Itamar Assumpção (indicada pelo violonista e professor de violão Hique Guerra)

Faixas Bônus:

Antes – Alda Rezende (indicada pela editora de arte da Revista Manga de Vento, Livia Arnaut)

Se enamora – Tiê (editora de conteúdo da Revista Manga de Vento, Cibele Carvalho)

 

Pergunte ao psicanalista Christian Dunker

Falar sobre o amor dá uma vergonha danada, não é? Às vezes, a gente fica cheio de dúvidas e nem sabe com quem conversar. Pensando nisso, espalhamos caixinhas fechadas em quatro escolas de Belo Horizonte, para que as crianças e adolescentes colocassem ali suas dúvidas. Recebemos mais de cem perguntas incríveis e escolhemos algumas para que o psicanalista e professor da USP Christian Dunker respondesse.  Se preferir, coloque um fone de ouvido para você ficar mais à vontade e não deixe de escutar essa conversa incrível!!!

 

Expediente:

Texto: Cibele Carvalho

Ilustração: Livia Arnaut

Revisão de texto: Bernardo Romagnoli Bethônico

Convidado especial: Christian Dunker

Revisão

Agradecimentos: À Casa Viva (especialmente à professora Grazi), à Escola Balão Vermelho (Ivana Brito),  à Escola da Serra (professora Sara Villas), à Escola Miri Piri. À Fernando Marques e Ana Martins Marques, pela revisão do relato de Dona Valéria. Aos músicos Bruno Santos, Paulo Sérgio Thomas, Cris Brasil, Chico Neves, Sofia Leandro, Guto Borges, Leonora Weissmann, Carla Reis, Humberto Junqueira e Hique Guerra.



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Quizz: sobre o amor

O dia de São Valentim é...

Correct! Wrong!

Quem criou o dia dos namorados no Brasil foi...

Correct! Wrong!

O filósofo Voltaire definiu o amor entre os homens com a seguinte frase:

Correct! Wrong!

Marque a afirmativa mais correta sobre o amor:

Correct! Wrong!

Assinale a ideia que NÃO está presente na conversa com o psicanalista Christian Dunker:

Correct! Wrong!

Especial Dia dos Namorados nº 12 (2019)
PARA VOCÊ O AMOR É UM MISTÉRIO!
Releia o texto tentando pensar nas experiências do amor que você tem!
VOCÊ ESTÁ NO CAMINHO...
Ainda há o muito que aprender, mas você está atento e sabe que tudo tem o seu tempo.
VOCÊ É MUITO SENSÍVEL!
Você é uma pessoa que consegue compreender bem os sentimentos. Possivelmente, você aprendeu isso observando o comportamento humano, conversando, lendo livros, vendo filmes e percebendo o que você sente.

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