Futebol feminino. E agora? Nº 13 (2019)

 

Domingo passado, o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de Futebol Feminino, após uma disputa pela vaga nas quartas de final que durou 120 minutos. Apesar do bom desempenho, o time foi eliminado pela França, que jogava em casa e venceu por 2 x 1. 

Ao final da partida, a jogadora Marta declarou aos jornalistas que essa copa foi muito especial, porque trouxe mais visibilidade para o esporte. Ela ainda afirmou que “não haverá Marta, Cristiane e Formiga para sempre”, ou seja, que essa copa encerra um ciclo no futebol feminino e que, por isso, é importante apoiar a próxima geração de jogadoras. 

O que Marta quis dizer foi que acaba a participação do Brasil na copa, mas o futebol feminino brasileiro precisa continuar. 

Quer pensar sobre esse tema com a gente? Segue o lance…

 

Como surgiu o futebol feminino?

O futebol feminino nas grandes competições

Dados da Copa de 2019

O time brasileiro da Copa de 2019

A desigualdade de gênero no futebol 

Escuta Essa: um futebolzinho com objetos

Pergunte a quem entende: com Ivi Casagrande

Quizz sobre futebol feminino

 

 

 

 

 

 

 

Como surgiu o futebol feminino ?

Cada vez mais o futebol feminino vem se desenvolvendo e chamando a atenção das pessoas, mas a verdade é que essa modalidade do esporte já existe há muito tempo.  A primeira partida de que se tem notícia aconteceu em 1898, na Inglaterra, numa disputa entre inglesas e escocesas.

Aqui no Brasil, existem registros mostrando que, no início do século XX, aconteciam jogos amadores entre times mistos, formados por homens e mulheres. Uma partida ocorrida em 1913 foi, durante muito tempo, considerada a primeira jogada somente por garotas. Depois, foi descoberto que o time na verdade era formado por jogadores do Sport Club Americano vestidos de mulher. Com isso, uma partida disputada em 1921 por moças de dois bairros de São Paulo passou a ser considerada uma referência inicial na prática do esporte no país. Repercutindo o preconceito da sociedade, os jornais da época noticiaram o evento em tom de deboche, chamando a partida de “curiosa” ou até mesmo de “cômica”. Não é de se estranhar que, naquele tempo, alguns circos apresentassem partidas de futebol feminino como uma atração e não como uma disputa esportiva. Ou seja, nas primeiras décadas do século XX, o futebol feminino no Brasil até existia, mas era raro e acontecia longe dos clubes e dos campeonatos.

 

Pode parecer que de lá pra cá as coisas foram melhorando aos poucos, mas não foi bem assim. A história às vezes se parece com o peão de um jogo de trilha de tabuleiro: anda pra frente, mas também pode recuar algumas casas. Um desses recuos aconteceu quando, em 1941, surgiu uma lei proibindo as mulheres de praticarem esportes que fossem «incompatíveis com a natureza feminina». Essa lei, que hoje consideramos atrasadíssima, só deixou de existir em 1979, e foi então que começaram a surgir os times femininos de clubes. Nove anos depois, em 1988, surgiu a primeira equipe de futebol feminino da seleção brasileira.

 



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O futebol feminino nas grandes competições

Em 1991, 61 anos depois da primeira Copa do Mundo de Futebol Masculino (1930), ocorreu a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino. O torneio aconteceu na China e o título foi conquistado pelas estadunidenses. Naquele ano, as brasileiras ficaram na nona colocação. 

De lá pra cá já ocorreram oito copas e alguns fatos que entraram para a história do esporte. Na copa de 1999, que aconteceu nos Estados Unidos, o Brasil ficou em terceiro lugar. A final foi disputada entre Estados Unidos e China, em uma partida emocionante que terminou em 5 X 4 para as americanas. O gol decisivo foi um pênalti marcado por Brandi Chastain, que comemorou a vitória em uma das cenas mais famosas da história do futebol feminino.

Em 2007, em outra copa que aconteceu na China, a Alemanha levou a medalha de ouro e o Brasil foi vice-campeão, conquistando sua melhor posição em uma copa do mundo.

Além das copas, outro evento importante para o futebol feminino foi a inclusão do esporte nas Olimpíadas em 1996, em Atlanta. Nessas Olimpíadas, o Brasil ficou em quarto lugar, quase subindo ao pódio. Em 2004, nos Jogos Olímpicos da Grécia, o Brasil ganhou a medalha de prata e, em 2008, repetiu a façanha nos jogos de Pequim. 

Com a saída da seleção brasileira da Copa de 2019, o time agora deve se preparar para os Jogos Olímpicos de 2020, que acontecerão em Tóquio.

 



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Dados da Copa de 2019

A Copa de 2019 começou no dia 7 de junho, na França, e termina no dia 7 de julho. Participaram do Mundial 24 equipes divididas em 6 grupos. 

Desses 24 times, 8 foram para as quartas de final: Alemanha, Austrália, Inglaterra, França, Estados Unidos, Suécia, Itália e Holanda. 

O atual campeão mundial é os Estados Unidos, time que já ganhou o maior número de copas (3). Mas existem outros favoritos, como a Alemanha, a Inglaterra e a França. 

O Brasil participou de todas as copas, mas só chegou à final em 2007.

 



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O time brasileiro da Copa de 2019

 

Para muitos jornalistas esportivos, o principal motivo da eliminação do Brasil na Copa 2019 foi a falta de treino e tática. Ainda assim, o time fez uma bela participação por causa do talento individual das jogadoras. 

A seleção brasileira contou com Marta, eleita pela FIFA por seis vezes a melhor jogadora do mundo. Além disso, depois do gol marcado pelo time do Brasil no jogo contra a Itália, na semana passada, Marta também se tornou a maior artilheira entre jogadores e jogadoras da história das copas. Ao marcar seu 17º gol, ela ultrapassou o alemão Miroslav Klose, que somava 16. 

Além de Marta, o time também contou com outras craques como Cristiane e Formiga, que bateu o recorde de participações em copas, estando na sua sétima disputa. Cristiane e Formiga afirmaram que a copa de 2019 foi o último campeonato mundial que elas jogaram. 

Relembre quem esteve no time base do Brasil na Copa do Mundo da França:

 Goleira Bárbara

Lateral direita Letícia

Zagueira pela direita Kathellen

Zagueira pela esquerda Mônica

Lateral esquerda Tamires

Volante Thaisa

Volante Formiga

Meia Andressinha

Meia Martha

Meia Debinha

Atacante Cristiane

 



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A desigualdade de gênero no futebol

Apesar de contar com tantos talentos, o time feminino não trabalha nas mesmas condições que o time masculino. Os salários das jogadoras são mais baixos que os salários dos jogadores e muitas precisam acumular dois empregos para aumentar a renda. Além disso, o futebol feminino sofre com a falta de patrocínio e com piores condições de treino. 

Existe também uma grande diferença na dimensão do público. Para a primeira partida do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino deste ano, foram vendidos apenas 420 ingressos, enquanto a primeira partida do Brasileirão de Futebol Masculino vendeu em média 15.293. Uma das razões para um público tão reduzido é que as emissoras não têm interesse em televisionar as partidas, o que prejudica a divulgação da modalidade. Também não existe, por exemplo, um álbum de figurinhas da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que poderia contribuir para que mais crianças se interessassem pelo esporte.

Outro problema acontece na base, ou seja, na formação das jogadoras. Dados do Ministério do Esporte mostram que, enquanto os meninos começam a jogar bola entre 5 e 10 anos, as meninas só começam depois dos 11 anos. Isso porque o futebol ainda é associado ao universo masculino. 

Já observou que, ainda bebês, os meninos ganham roupinhas de time de futebol? E que em muitas escolas os professores dividem os espaços do pátio reservando a quadra para os meninos? 

E você? 

O que tem observado sobre a desigualdade de gênero nas práticas esportivas na infância?

 

 



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Escuta Essa: Futebolzinho dos objetos

Que meninos e meninas podem jogar futebol, todo mundo já sabe. Mas que tal um time formado por cadeira, mesa, mala, criado-mudo, piano, caixa de fósforos, geladeira e muitos outros objetos? Pois é o que acontece faixa 4 do DVD de animações da banda Pequeno Cidadão, formada em 2008 pelos roqueiros Arnaldo Antunes, Taciana Barros, Edgard Scandurra, Antonio Pinto e seus filhos. O clipe que é um stop-motion e tem direção e realização de André e Arthur Guttilla.

Veja que legal:

Pergunte a Ivi Casagrande

Ivi Casagrande é cientista do esporte e trabalha como preparadora física do time feminino Orlando Pride, que é o time da Marta quando ela não está vestindo a camisa da seleção brasileira. Ivi nasceu em Belo Horizonte e jogou no time profissional do Atlético Mineiro antes de ir morar nos Estados Unidos. É ela quem responde as perguntas de quatro garotas super antenadas: Duda, de 11 anos, Maria, de 9 anos, Ciça, de 16 anos e Laís, de 6 anos. Aperte o play para acompanhar essas meninas batendo um bolão!

Expediente:

Texto: Cibele Carvalho

Ilustração: Livia Arnaut

Revisão de texto: Bernardo Romagnoli Bethônico

Convidado especial: Ivi Casagrande

Agradecimentos: À Maria Eduarda Noronha, Laís Arnaut, Maria Cecília Alkmin e Maria Campos.

 

 

Continue para responder o quizz!!!

 

 



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Quizz sobre futebol feminino

Domingo passado, a seleção brasileira de futebol feminino foi eliminada...:

Correct! Wrong!

Sobre a história do futebol feminino, é correto afirmar que:

Correct! Wrong!

Sobre as copas, marque a opção que não é verdadeira:

Correct! Wrong!

Quais times passaram para as quartas de finais da Copa de 2019

Correct! Wrong!

Sobre a igualdade de gênero no futebol, é correto afirmar que:

Correct! Wrong!

Um quizz sobre futebol feminino. Nº 13 (2019)
PERNA DE PAU
Acho que você precisa treinar mais seus argumentos. Que tal reler essa edição?
AQUECENDO
Acompanhe as notícias sobre futebol feminino para ficar cada vez mais craque no assunto.
CRAQUE DE BOLA!
Parabéns! Quando o assunto é futebol feminino, você é craque!

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