Almanaque do Chico. Nº 15 (2019)

No dia 21 de maio passado, o compositor e escritor Chico Buarque ganhou um  importantíssimo prêmio literário. Criado em 1988, o Prêmio Camões prestigia os melhores escritores da língua portuguesa. 

No texto de anúncio do ganhador do prêmio, o júri explicou que Chico mereceu o troféu porque a sua obra contribuiu para a formação cultural de diferentes gerações. Além disso, os jurados consideraram que a obra do artista é muito variada, já que ele escreveu romance, poesia e teatro. (Você deve se lembrar, por exemplo, do musical infantil Saltimbancos, que foi adaptado por Chico Buarque em 1977.)

Pois bem, em homenagem a esse artista, criamos um número inteirinho a partir de uma música do Chico chamada Almanaque, que tem uma letra cheia de questões interessantes, mas também bonitas. Escolhemos seis das perguntas propostas na letra para serem respondidas por seis convidados. 

 

Segue o rumo desse vento:

 

Escuta essa: Almanaque, Chico Buarque

O primeiro bezerro que berrou, mamava em que teta? – Meg Marques

Quem inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor? – Ana Elisa Ribeiro

Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou? – Alice Mendes Moura

Quem foi que fez o primeiro teto, que o projeto não desmoronou? – Fernando Marques

Quem pintou a bandeira brasileira, que tinha tanto lápis de cor? – Miriam Hermeto

Pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba? – Anna Cláudia Eutrópio

Quiz: Almanaque do Chico

Escuta essa: Almanaque do Chico

A música de Chico Buarque que escolhemos para esta edição especial de férias faz parte de um disco lançado em 1981 chamado Almanaque: disco de variedades

Um almanaque é um tipo de publicação semestral ou anual, que costuma trazer um calendário com datas importantes, poesias, mensagens, receitas e curiosidades.

Pois a letra do Chico está justamente cheia de perguntas curiosas que até parecem perguntas curiosas simplesmente, mas que são mais do que isso, sem deixar de ser também isso. É que, além de interessantes, as questões são colocadas de uma forma poética.

Escuta Essa e depois leia as respostas dos nossos convidados nas próximas páginas:

 

O primeiro bezerro que berrou, mamava em que teta?

Meg é o apelido de Maria Margarida Marques que é bióloga e
fez Mestrado e Doutorado em Ecologia Conservação e Manejo de Vida Silvestre pela UFMG.
Atualmente trabalha com consultoria ambiental e é professora universitária em São Paulo.
Tem duas filhas adolescentes.

 

Essa é uma pergunta engraçada que faz lembrar aquela charada: “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?”

Para responder, vamos saber antes sobre a teoria da evolução por seleção natural, proposta pelo naturalista inglês Charles Darwin, que explica como e por que existem tantas espécies diferentes de seres vivos no mundo.

O conceito por trás da teoria é que os filhotes herdam dos pais várias das suas características, embora sejam sempre um pouco diferentes. Aquelas características que mostram melhor adaptação ao meio ambiente permitem que alguns filhotes sobrevivam mais que os outros, se alimentem melhor que os outros e tenham mais filhotes que, por sua vez, também vão herdar algumas características e passar adiante aos seus próprios filhotes. Assim, com o passar do tempo, gradualmente, cada geração de uma população de organismos vai ficando um tantinho diferente das gerações anteriores, até que a diferença fica tão grande que uma geração se torna uma espécie nova, diferente dos seus antepassados distantes.

Em relação à pergunta, podemos até imaginar que quando o Chico Buarque fez o verso, ele estava talvez pensando que, de uma geração para outra, a diferença já seria suficiente para um bezerro ser de uma espécie diferente de sua mãe. Mas não é bem assim.

Cada geração ainda é suficientemente parecida com as gerações anteriores mais próximas para ser considerada da mesma espécie. Só comparando com as gerações bastante afastadas no tempo é que alguma diferença seria percebida. Cada filhote é da mesma espécie que sua mãe e sua avó, mas talvez não da sua tatatatatatatatatatatataravó.

No entanto, há cerca de 6.000 anos atrás, quando os seres humanos decidiram tentar domesticar o gado selvagem que existia na Europa e na Ásia, eles apressaram um pouco as coisas.

As pessoas daquele tempo capturavam filhotes de um boi selvagem chamado auroque e os prendiam e isolavam até virarem adultos. Aí escolhiam aqueles que tinham as características que mais interessavam às pessoas: os mais mansos, os de chifres menores, os que cresciam e engordavam mais rápido. Apenas esses podiam se reproduzir e gerar filhotes. Esse processo se chama seleção artificial. Assim, os auroques domesticados foram ficando cada vez mais parecidos com os nossos bois atuais e cada vez mais diferentes dos auroques selvagens.

O primeiro bezerro que surgiu com todas as características da espécie que atualmente chamamos de Bos taurus, o gado doméstico, nasceu de uma vaca descendente dos auroques, já muito modificada, já praticamente uma vaca doméstica ela mesma. Dificilmente alguém conseguiria distingui-la de uma vaca comum.

Assim, podemos concluir que o primeiro bezerro que berrou, mamou na teta de uma vaquinha quase igual a ele, que veio de uma linhagem de animais selvagens que eram, estes sim, bastante diferentes.

O marido da Meg Marques, o publicitário Rubens Chácara, arriscou responder a mesma pergunta em forma de poesia. Clique na imagem para ler.

Quem inventou o analfabeto e ensinou o alfabeto ao professor?

Ana Elisa Ribeiro é autora de vários livros para criança.
É linguista, formada em Letras/Português pela UFMG, doutora em Linguística Aplicada.
Professora do CEFET-MG.

 

Não é difícil de entender, vejam só: assim que o alfabeto foi inventado, as pessoas que sabiam como decifrá-lo ou lê-lo se tornaram, então, alfabetizadas. Aqueles que não sabiam lê-lo, então, se transformaram em analfabetos, isto é, são as pessoas que não sabem ler o alfabeto ou tipo de código escrito. Não existe só o alfabeto no mundo. Ele é um dos tipos de jeitos de escrever que um povo pode adotar ou inventar. Há outros muito interessantes, com jeito até de mais difíceis. Nós aqui, que usamos o alfabeto (esse que começa no A, passa pelo B – alfa, beta… – e chega até o Z, em vinte e poucas letras), somos também “analfabetos” em outros tipos de escrita, como a dos russos ou a dos japoneses, que nem é alfabeto, mas é um outro modo de escrever. 

Bom, os professores são essas pessoas que estudam e não apenas aprendem o alfabeto, mas devem usá-lo bastante. Eles são também as pessoas que devem ensinar o alfabeto a outras, tornando-as então alfabetizadas. Seria bem legal que todas as pessoas aprendessem a ler o nosso alfabeto, e vários outros jeitos de escrever, porque isso é importante em nossa sociedade. É um direito, não é uma chatice ou um favor. Os países, inclusive o nosso, fazem grandes esforços para que todos os cidadãos e cidadãs deixem de ser analfabetos desde pequenos, desde crianças. Você se lembra como foi aprender a ler? E a escrever? Muitas pessoas deixam de aprender as letras e como lê-las quando crianças, e crescem sem saber e depois podem ser alfabetizadas já mais velhas. Isso também é importante.

 Então: o alfabeto foi inventado e, ao mesmo tempo, apareceu a primeira pessoa que não sabia decifrar esse alfabeto, enquanto algumas outras sabiam. Como saber ler e escrever é bem importante em nossa sociedade, os analfabetos ficam em desvantagem, embora eles saibam fazer muitas outras coisas e se comuniquem perfeitamente com a voz. É justo e importante que todos possam decifrar ao menos o nosso alfabeto, em que várias línguas são escritas. O português, o inglês, o espanhol e muitas outras línguas diferentes são escritas com o alfabeto, as letrinhas que conhecemos. E com elas fazemos muitas coisas, nos comunicamos a distância, sem nem precisarmos estar nos lugares, juntos. A escrita é capaz de voar e de durar, até mais do que nós mesmos. Imagine só alguém que não pode escrever sequer um bilhetinho ou uma mensagem no WhatsApp? Quando o analfabeto ou a analfabeta deixar de ser isso, ele ou ela ganha um poder a mais na comunicação. 

 

 

Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou?

Alice Mendes Moura é  estudante de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

Trabalha com Medicina da família e da comunidade, além de ser cronista, palhacinha, e até ufóloga!

“Quem penava no sol a vida inteira, como é que a moleira não rachou? Quem diz? Quem diz? Quem diz?” Digo sim! Ô se digo… Mas, primeiro, eu quero saber…

Alguém aí sabe o que é moleira? 

Quem já ouviu os avós dizerem para ter cuidado com ela?

E todo mundo tem moleira?

Sim, todo mundo – quando nasce – tem moleira, bem em cima da cabeça! “Moleira” é a palavra popular para o termo médico “fontanela”; e, na verdade, são fontanelas ou moleiras, no plural, já que existem seis: uma fontanela anterior ou bregmática; uma fontanela posterior ou lambdóidea; duas fontanelas mastóideas e duas esfenoidais!

“Nossa, mas quanto nome complicado!” Os nomes são mesmo, mas é fácil de entender. Pense em um neném, recém-nascido, que você já tenha visto. A fontanela principal, que é a mais comentada, corresponde à anterior ou bregmática. Ela fica bem ali na parte da frente da cabecinha do neném, onde é molinho, e os pais, tios e avós costumam pedir para não ficar encostando a mão… Essa parte mole é justamente a moleira, que nada mais é do que um espaço entre os ossos do crânio do neném.

“E tem problema encostar?” Tem não… Mas precisa ser de levinho mesmo, sem apertar ou fazer força! Isso serve para qualquer parte do corpo do recém-nascido. É tudo molinho mesmo, delicado, sensível… Inclusive as moleiras! Que existem para facilitar a saída do bebê na passagem do parto e para permitir o crescimento adequado do cérebro do neném!

Só que… As moleiras não ficam com a gente durante a vida inteira. Até por volta de dois anos de idade, todas já se fecharam e os ossos já se aproximaram. Daí em diante, o neném fica “cabeça-dura” igual a todos nós!

E agora? Vocês podem me ajudar a responder à música do Chico?

Quem trabalha no sol a vida inteira, nem podia mais rachar a moleira… Com dois anos de idade, todas já devem estar bem fechadinhas!

E que coisa, hein? Penar no sol a vida inteira… Pode isso? Pode não… Faz mal para a saúde! Inclusive, na Medicina, temos uma grande área de estudo chamada “Saúde do Trabalhador”, justamente para compreender e intervir na relação entre o serviço da pessoa e o impacto no próprio organismo!

Infelizmente, sabemos que penar no sol ainda é a realidade de muitos brasileiros, principalmente na zona rural. Então, o que é que nós da Medicina fazemos, se não é sempre que dá para pedirmos que o paciente mude de trabalho? Se ele precisa daquele trabalho para ganhar o pão de cada dia?

Pedimos pausas embaixo das árvores e construções. Pedimos para usar boné ou chapéu, do momento em que sai de casa, até a hora em que ele volta. Pedimos para usar filtro solar, evitando assim as doenças de pele. Pedimos para, quando o corpo cansar, não negar o descanso. Pedimos para não se esquecerem de ser gente. Homem do campo ou homem da cidade, não existe diferença. É todo mundo igual. É igual no trabalho, no cansaço, no amor… E o mais importante, na humanidade!

 

Me diz, me diz… Quem aí sabe o que significa a palavra humanidade?

Xiii, isso é conversa longa… Vai ficar para outro texto. Só sei que conto com a ajuda de vocês! Vamos juntos encontrar as “significâncias” da vida?!

Com amor,

Alice 

Quem foi que fez o primeiro teto, que o projeto não desmoronou?

Fernando Pimenta Marques é engenheiro arquiteto e urbanista.
Atualmente, a preservação do patrimônio cultural é a sua atuação principal.

Diz quem foi que fez o primeiro teto 
Quem fez o primeiro teto foi a primeira pessoa (ou bicho) que procurou abrigo
pra se proteger do que ameaçava cair sobre sua cabeça. Qualquer coisa se
torna teto a partir do momento em que alguém se coloca embaixo dela ou a
coloca sobre a cabeça. O complicado é a gente ficar sem teto!

Que o projeto não desmoronou
O destino do projeto é desmoronar. Todo projeto vai desmoronando a partir do
momento em que começa a ser executado. O projeto desmorona pra dar lugar
ao que foi projetado. Depois de construída a casa, o projeto só serve pra contar
sua história. O complicado é quando a casa desmorona!

Quem foi esse pedreiro, esse arquiteto
Esse arquiteto e esse pedreiro foi quem teve a ideia, planejou, ajuntou tudo que
era necessário e construiu o que queria realizar. O complicado é quando
pedreiro e arquiteto não se entendem!

E o valente primeiro morador
Iniciar, ser o primeiro sempre exige coragem e valentia. Ao assumir um lugar
nós o transformamos, o que nos torna sempre os primeiros no cenário
construído. O complicado é não ser valente! Não querer ser o primeiro! Não
conseguir ser morador!

Aí a gente pede ao Chico Buarque pra escrever outra poesia.

Quem pintou a bandeira brasileira, que tinha tanto lápis de cor?

Miriam Hermeto, professora de História/UFMG,
estuda canções brasileiras
e tem especial afeto pelas de Chico Buarque

Taí uma boa pergunta, dessas que qualquer um pode fazer, ao olhar para as cores vibrantes da nossa bandeira. Mas quem fez, desse jeito aí, foi o compositor Chico Buarque, que tem o hábito de brincar com as tradições brasileiras nas suas canções. Essa pergunta, que nos faz pensar sobre a história de um dos nossos símbolos nacionais mais conhecidos, é um verso da canção “Almanaque” – cheia de outras perguntas curiosas, sobre os temas mais diferentes!

Pra começar, a canção é uma brincadeira com os almanaques, publicações que eram muito populares há alguns anos. Eles começaram a circular com informações sobre os astros e os calendários. Depois, passaram a tratar também de datas comemorativas e personagens considerados importantes. E acabaram virando grandes livros de curiosidades, com respostas para perguntas sobre assuntos diversos. Daí, Chico Buarque exagera e imagina um almanaque com perguntas bem malucas.

 

É nessa pegada que ele brinca com a história da nossa bandeira. Um almanaque de verdade responderia: o primeiro projeto com essas cores é de 1822, quando o Brasil ficou independente. E, embora seja comum as pessoas dizerem que o verde representa as matas e o amarelo, o ouro, não é bem assim… Essas cores vivas representam as casas reais de Bragança e Habsburgo, do primeiro casal de imperadores brasileiros. Foram mantidas quando o Brasil virou uma República e a bandeira mudou, em 1989. Então, passaram a ser acompanhadas do azul celeste e das estrelas, que representam tanto o céu visto do Rio de Janeiro, quanto os estados brasileiros.

Nós poderíamos completar a resposta à pergunta do Chico: olha, essa bandeira foi colorida assim por muita gente. E por muita história!

Pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba?

Anna Cláudia Eutrópio é psicóloga, doutora em educação
e coordenadora do Nós e Voz

A música Almanaque do Chico Buarque busca respostas para perguntas que não têm uma explicação simples. No final da música ele pergunta: pra quê tudo começou quando tudo acaba? Fiquei pensando que ele devia estar sofrendo muito por uma história de amor que deve ter terminado, e possivelmente, por iniciativa da outra pessoa… E aí ele fica pensando: se essa história de amor acabou, o que eu vou fazer com todo esse amor que estou sentindo, mas que não vou poder viver, porque a outra pessoa não quer mais?  E aí a pergunta que fica: pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba? 

O amor não acaba, nem nossa capacidade de amar. O que muitas vezes termina são histórias de amor. E o final de uma história de amor é um momento de muita tristeza e incerteza. Questionamos o que vivemos, quem somos, o que queremos, tentamos construir sentido para toda a dor que estamos sentindo. E durante esse tormento chegamos a achar que todo o nosso amor irá para algum lugar que nunca mais acessaremos. É como se achássemos que nossa capacidade de amar fosse ser abduzida para uma outra dimensão e que nunca mais a gente vá conseguir amar de novo. E é normal sentir isso quando estamos sofrendo. Quando a ferida está aberta, a gente não consegue imaginar que algum dia ela vai cicatrizar. Podemos até passar algum remédio para tentar acelerar que a ferida cicatrize, mas só o tempo mesmo é que cura as dores do amor e que permite que a gente resgate nossa capacidade de amar. 

Nas questões do amor, artistas têm mais sabedoria que a psicologia. Músicas, poesias, quadros, filmes nos ajudam a encontrar respostas para o que nosso coração sente. Não sei pra onde vai o nosso amor quando o amor acaba, mas pra mim, quando estou sofrendo de amor, tem uma outra música que me ajuda. Chama Vento no Litoral, do Legião urbana. Tem um trecho que fala assim:

“Já que você não está aqui, o que posso fazer é cuidar de mim.”

Escuta essa também:

 

Expediente:

Edição de conteúdo: Cibele Carvalho

Edição de arte: Livia Arnaut

Textos: Cibele Carvalho, Meg Marques, Rubens Chácara Miguez, Anna Cláudia Eutrópio, Alice Mendes Moura, Miriam Hermeto, Fernando Marques e Ana Elisa Ribeiro

Ilustração: Livia Arnaut

Revisão de texto: Bernardo Romagnoli Bethônico

 

Continue para responder um quiz divertido sobre a música Almanaque!

 

Quiz: Almanaque do Chico

Marque a alternativa mais correta:

Correct! Wrong!

Questões do tipo "quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha" ou "em que teta mamou o primeiro bezerro" podem ser cientificamente respondidas pela:

Correct! Wrong!

O refrão da música Almanaque traz a seguinte pergunta: "Pra onde vai o meu amor, quando o amor acaba?". Para Anna Claudia Eutrópio, onde seria mais possível achar essa resposta?

Correct! Wrong!

Marque a ideia que NÃO está presente na letra de "Almanaque" ou nos textos dos convidados desta edição da Manga de Vento:

Correct! Wrong!

Marque a pergunta que NÃO faz parte da letra da música Almanaque:

Correct! Wrong!

Um quiz sobre a música Almanaque do Chico Buarque Nº 15 (2019)
HUMMM...QUE TAL RELER ESSA EDIÇÃO COM UM ADULTO POR PERTO?
VOCÊ ESTÁ NA DIREÇÃO CERTA! CONTINUE OUVINDO CHICO BUARQUE! CONHECE UMA MÚSICA CHAMADA "VALSA DOS CLOWS"?
EXCELENTE! CONTINUE OUVINDO CHICO BUARQUE! CONHECE UMA MÚSICA CHAMADA "JOÃO E MARIA"?