Um passeio com Paul Klee. Nº16 (2019)

Está viajando pelo Brasil uma importante exposição do artista suíço Paul Klee (1879-1940). Outras exposições com obras do artista já aconteceram no Brasil, mas esta é a primeira exposição na América Latina que é retrospectiva.

Todas as mais de cem obras que passam por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte pertencem ao acervo Zentrum Paul Klee, um museu que fica na cidade de Berna, na Suíça. 

Você consegue imaginar como é atravessar o Atlântico com obras de arte preciosíssimas? Para custear o transporte e a segurança de todas essas obras, foi utilizada a Lei Rouanet, que é uma lei brasileira muito importante para a cultura.  

Funciona assim: um profissional das artes escreve um projeto de exposição, produção de filme ou montagem de teatro e o envia para uma comissão avaliadora formada pelo governo. Se o projeto for aprovado, essa pessoa pode pedir a uma empresa que ela envie parte dos seus impostos, que seriam pagos para o governo, diretamente para o projeto. 

Como o dinheiro vem de impostos da população, o governo exige uma contrapartida, ou seja, que o projeto seja do interesse da sociedade. No caso da exposição do Paul Klee, a população ganhou a oportunidade de ver de perto obras de um dos mais importantes artistas do século XX, em três museus do país, com entrada totalmente gratuita.

 

Confira abaixo a programação:

13/02 a 29/04/2019 – Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB)  de São Paulo 
15/05 a 12/08/2019 – Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro 
28/08 a 18/11/2019 – Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) de Belo Horizonte

 

Quer saber mais sobre essa exposição super bacana? Siga os pontos:

 

Primeiros anos do pequeno Paul

Paul Klee nasceu em Berna, capital da Suíca, em 1879. Ele era o caçula dos dois filhos de um casal de músicos. Hans, o pai, era professor de música e Ida, a mãe, era cantora. 

Klee aprendeu com os pais a tocar violino aos sete anos. Quatro anos depois, foi aceito na orquestra da Academia de Música de Berna. Obviamente, não era comum a participação de crianças em orquestras, o que mostra que ele era um violonista excepcional!

Além do violino, o pequeno Paul era apaixonado por uma caixa de giz de cera que ganhou de presente de sua avó Anna Catharina. Assim como tocar, desenhar passou a ser uma das suas atividades favoritas.

Na juventude, decidiu fazer faculdade de Belas Artes na Universidade de Munique, na Alemanha, país natal de seu pai. Ele também trabalhou tocando violino em uma orquestra.

 

Ao longo desta edição, você pode ouvir frases de Paul Klee na voz de Sofia Hood, de 11 anos. Clique abaixo:

 

 

 



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O casamento, o filho e as marionetes

Em 1906, Paul Klee se casou com a pianista Lily Stumpf e com ela teve um único filho, chamado Félix Paul. 

Enquanto Lily trabalhava dando aulas de piano, Paul trabalhava em casa, desenhando e cuidando do filho. As crianças alemãs daquele tempo adoravam o Kaspertheater, um teatro de fantoches com um protagonista de gorro vermelho de nome Kasper. Félix não era diferente, e a vontade de agradá-lo levou seu pai a confeccionar bonecos feitos de carretéis de linha, tomadas de eletrodoméstico, caixas de fósforo e ossos de boi.

No nono aniversário de Félix, ele ganhou os primeiros oito fantoches caseiros e um teatro. Em poucos anos, Paul criou cerca de cinquenta bonecos. Trinta deles estão preservados no Zentrum Paul Klee em Berna e cinco vieram para a exposição no Brasil.

 



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O nazismo e os anjos de Paul Klee

Nas primeiras décadas do século XX, Paul Klee assistiu com tristeza o surgimento e o crescimento do nazismo na Alemanha. O nazismo é uma forma política autoritária que acredita na superioridade de alguns grupos humanos. Na Alemanha nazista, por exemplo, judeus foram presos e mortos brutalmente, simplesmente por serem…judeus! Artistas e intelectuais que contestavam o governo também foram perseguidos. 

O mesmo aconteceu com Paul Klee, que teve seu escritório invadido pela polícia, tendo que provar que não era de origem judia. Ainda assim, sua obra foi considerada “degenerada” e ele teve que fugir da Alemanha e se exilar em seu país natal, a Suíça. Seus quadros foram confiscados dos museus alemães e passaram a ser ridicularizados.

Nesse período marcado pelo nazismo, pelas Guerras Mundiais e pelo pessimismo, Klee desenhou uma série de anjos tortos, desalinhados ou inacabados. Esses seres que, apesar de serem alados, não eram nada perfeitos, mostravam a decepção com a promessa de progresso da humanidade. Isso porque, mesmo depois de décadas de industrialização, avanços científicos e tecnológicos, os seres humanos tinham escolhido a intolerância e a guerra como solução para seus conflitos.

Para um filósofo alemão chamado Walter Benjamin, a tela Angelus Novus de Paul Klee mostra um anjo com olhos arregalados e boquiaberto. Benjamin acredita que se trata do anjo da história, espantadíssimo com as barbaridades que o ser humano comete na Terra! Armas de fogo, bombas, guerras, ambição desmedida… Apesar de ver tantas tragédias crescendo sob seus pés, o anjo não consegue pousar para impedi-las, porque sopra em suas asas um vento muito forte. Esse vento vem do paraíso, carrega o anjo para o futuro e seu nome é Progresso.



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Os gatos de Paul

Paul Klee considerava os gatos deuses extraviados na Terra. Ele teve vários gatos. Nuggi, Mys, Fripouille e Bimbo aparecem em suas fotos familiares.

Em cartas para sua mulher Lily, escritas quando ele esteve fora de casa para servir de força reserva na Primeira Guerra Mundial, Klee sempre pedia notícias de Fripouille, que tinha o apelido de Fritz. Em outro momento de ausência, escreveu cartas comoventes ao seu gato Bimbo.

Um colecionista estadunidense chamado Edward M.M. Warburg conta que, ao visitar o pintor, assistiu a uma cena engraçada. Bimbo pisou acidentalmente em uma das obras de Klee, mas, surpreendentemente, o artista não ficou bravo nem nada. Ao contrário, ele riu do acidente e disse que, no futuro, os críticos de arte iriam se perguntar como é que Klee teria conseguido um efeito tão inusitado.

Paul Klee morreu no dia 29 de junho de 1940, enquanto pintava A Montanha do Gato Sagrado, que tinha Bimbo como modelo.



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5 dicas para desenhar bem

Paul Klee deixou muitas anotações com ensinamentos sobre artes. Esses textos eram oferecidos aos seus alunos da Bauhaus, mas também aos estudantes da Academia de Artes de Düsseldorf, na Alemanha, onde ele também foi professor. 

Infelizmente, não podemos mais ser alunos de Klee, mas se você gosta de desenhar, pode praticar cinco dos exercícios que o artista propunha em suas aulas:

 

  • Leve a linha para passear

Paul Klee explica que os desenhos começam a partir de pontos que se reúnem e formam linhas, que juntas formam planos. Para ele, aprender a desenhar é como aprender a escrever: as letras vão se juntando em palavras e as palavras em frases. 

Por isso, é legal aprender a manusear as linhas, porque, como dizia Paul Klee:

 

 

  • Observe um aquário

Paul Klee tinha um aquário em casa e ensinava seus alunos a observar o movimento dos peixes, porque ele considerava a natureza uma importante fonte de inspiração. Piscando as luzes do aquário, ele fazia os peixes sumirem e reaparecerem em diversas posições. 

 

  • Desenhe o sistema circulatório

Observador da natureza, Klee estudava, por exemplo, os padrões de desenho das ramificações das plantas e dos cursos dos rios. Um exercício que ele propunha aos seus alunos era o desenho do sistema circulatório do corpo humano usando a cor azul e a cor vermelha para representar o sangue que viaja em direção ao coração e aquele que retorna de lá.

 

  • Compare o peso das cores

Só depois do estudo das linhas e das formas da natureza, Paul Klee trabalhava com seus alunos a cor. Ele sugeria que imaginassem o peso do amarelo, do azul, do vermelho ou do verde… Klee dizia que as pessoas não enxergam um quadro ou desenho de uma vez só. Ele dizia que o olho passeia pela imagem, guiado pelo peso das formas e das cores.  

 

  • Estude os grandes

Paul Klee dizia que, para aprender a desenhar ou pintar, é preciso estudar os grandes artistas. Esse estudo seria na verdade uma decomposição, ou seja, uma separação das partes da obra que levaria a entender como o artista conseguiu o resultado final. 

Por isso, se você tiver oportunidade de ir à exposição conhecer esse grande artista, não perca! 

Mas se não der, você pode conhecer os cadernos de Paul Klee digitalizados pelo Zentrum Paul Klee clicando aqui:

http://www.kleegestaltungslehre.zpk.org/ee/ZPK/BF/2012/01/01/001/?utm_medium=website&utm_source=archdaily.com.br

 

 



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Escuta Essa: playlist Paul Klee

Na vida e na obra de Paul Klee, a música desempenhou um papel muito importante. Contam que ele tocava violino todos os dias antes de começar a pintar ou desenhar. Tem até quem chegue a dizer que Klee pintava como um músico, imaginando uma melodia, um ritmo e colocando as formas e cores dentro de um tempo. 

Por isso, convidamos Daniel Fernandes, que é amigo da Manga de Vento e da música, para montar uma playlist inspirada no universo do artista.

Nossa dica é que você peça aos seus pais um adaptador de cabo na forma da letra Y para compartilhar com você a playlist, enquanto percorrem a exposição.

Você pode seguir a ordem dos quadros e da playlist, ou então fazer um percurso pessoal. Pode demorar mais em uma obra do que em outra, repetir ou pular uma música, fazendo o passeio no seu próprio ritmo. 

 

 

Pergunte a Mateus Mesquista

Mateus Mesquita é coordenador do Programa CCBB Educativo em Belo Horizonte e coordenador técnico do JA.CA – Centro de Arte e Tecnologia. É ele quem conversa com o editorial mirim da Manga de Vento sobre a montagem da exposição do Paul Klee. Fizeram parte dessa conversa Nina Fonseca (10 anos), Ana Christo Ayres (10 anos), Catharina Portes (a Cath, de 9 anos), Laís Arnaut (7 anos) e Iara Lacerda (6 anos) e Samuel Alkmin (11 anos).

Aperte o play!

 

Expediente:

Texto: Cibele Carvalho

Ilustração: Livia Arnaut

Revisão de texto: Bernardo Romagnoli Bethônico

Áudios: Voz de Sofia Hood (11 anos) e frases de Paul Klee

Agradecemos a Daniel Fernandes, às crianças que participaram desta edição e aos responsáveis.

 

Continue para responder o quiz e testar seus conhecimentos sobre Paul Klee!


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Quiz: Paul Klee

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São dicas de Paul Klee para desenhar bem, EXCETO:

Correct! Wrong!



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