Como aconteceu a Proclamação da República? – Nº. 8 (2018)

Amanhã é feriado, como você já deve estar sabendo. E hoje, que é quarta-feira, fica parecendo sexta-feira, o que não é nada mal…

Se você perguntar por aí por que dia 15 de novembro é feriado, vai descobrir que nesse dia o Brasil relembra a Proclamação da República, um fato político importante que aconteceu no ano de 1889.

A Proclamação da República foi o evento que fez com que o Brasil deixasse de ser uma monarquia, governada pelo imperador Dom Pedro II, e passasse a ser uma república, governada por um presidente militar, o Marechal Deodoro.

Foi mais ou menos assim: Os militares tinham vencido a guerra do Brasil contra o Paraguai e voltaram para cá com a notícia de que éramos o único país da América que ainda era uma monarquia. Além disso, esses militares se sentiram desvalorizados depois da guerra e estavam bastante insatisfeitos com a situação.

Outros setores da sociedade também estavam chateados com o imperador. Os grandes proprietários, que lucravam com o trabalho escravo, estavam aborrecidos porque a Princesa Isabel, filha de Dom Pedro II, tinha criado uma lei que acabava com a escravidão, a Lei Áurea. A Igreja, por sua vez, achava que o imperador estava metendo o nariz onde não era chamado, já que Dom Pedro II não concordou com uma norma do Papa Pio IX, que era o papa daquele tempo.

E foi então que esses grupos de ricos e poderosos se uniram pelo fim da Monarquia. O militar escolhido para proclamar a República foi Marechal Deodoro da Fonseca, que se tornou também o primeiro presidente do Brasil.

Dois dias depois, no dia 17 de novembro, Dom Pedro II e sua família foram obrigados a deixar o Brasil ainda de madrugada.

 

 

 

Nesta edição, vamos explicar direitinho esse momento da história do Brasil e o que ele pode nos ensinar sobre os dias de hoje. Vem com a gente?

O que significa proclamar?

O que é republicanismo?

Como as ideias republicanas chegaram ao Brasil?

Como anda a palavra república hoje em dia?

Pergunte a quem entende, com o professor Adriano Freixo.

 

O que significa proclamar?

Proclamar quer dizer anunciar ao público, declarar ou decretar.

 

O fim da monarquia no Brasil aconteceu bem assim, decretado por um grupo de militares e sem a participação do povo. Por isso, os historiadores afirmam que a Proclamação da República foi um golpe de Estado.

Se o povo não participou do planejamento da Proclamação da República, ele também não foi atendido depois que a família real foi embora. Ao contrário, o que se instalou por aqui foi uma oligarquia, ou seja, um governo sem a participação popular e centralizado na mão de poucos grupos formados por ricos e poderosos.

Por exemplo, na Primeira Constituição Republicana do Brasil, que é do ano de 1891, estava prevista uma consulta à população sobre qual tipo de governo ela preferia. Acontece que essa consulta só foi realizada em 1992. O povo brasileiro esperou mais de um século para opinar!!!

 

O que é o republicanismo?

República vem do latim res publica, que significa coisa do povo.

A República é uma forma de governo baseada em um ideário (que é mais ou menos uma coleção de ideias). Fazem parte do ideário republicano a ideia de liberdade do povo e a ideia de que o governo ser pensado para todos. Ou seja, nessa forma de governo, o bem comum é mais importante do que a vontade de um só.

Em geral, a República é representada por uma mulher forte e guerreira, mas também protetora e maternal. Na França, essa mulher ganhou o nome de Marianne, uma mistura de dois nomes muito comuns no século XVIII: Marie e Anne.

Marianne inspirou também a representação da República no Brasil. Ela é a mulher que estampa as cédulas (notas de dinheiro) brasileiras.

 

 

A República também está representada como uma figura feminina em um quadro chamado A Pátria, que foi pintado por Pedro Bruno (1909). Para conhecer o quadro, clique aqui.

 

 

 

 

 

 

Como as ideias republicanas chegaram ao Brasil?

A Proclamação da República pôs um fim à Monarquia e estabeleceu a República como forma de governo. Mas ela não foi lá muito republicana, porque tudo aconteceu sem a participação popular, prevalecendo os interesses de pequenos grupos de ricos e poderosos.

Apesar disso, antes de 15 de novembro de 1889, circulavam entre a população brasileira ideias verdadeiramente republicanas. Você pode estar se perguntando como a população daquela época, que era em sua maioria analfabeta, entrou em contato com o ideário republicano que circulava o mundo.

Os historiadores contam, por exemplo, que no final do século XIX chegavam jornais internacionais no porto da cidade do Rio de Janeiro. Esses jornais noticiavam as revoluções republicanas que ocorriam na Europa e nos Estados Unidos e eram lidos por intelectuais brasileiros.

Alguns desses intelectuais eram médicos, que traduziam e contavam essas notícias para os boticas, os farmacêuticos daquela época. Os boticas, por sua vez, repassavam essas informações para os clientes enquanto eles aguardavam o remédio ficar pronto.

Loja do Boticário, aquarela sobre papel de Jean-Baptiste Debret. Domínio público, Museus Castro Maya

Também em outras cidades brasileiras, as ideias verdadeiramente republicanas circulavam já bem antes da Proclamação da República. Como não existia Whatsapp, essas informações corriam em diferentes formas de redes sociais, como nesse “telefone sem fio” formado por médicos, boticas e clientes.

 

Como anda a palavra ‘república’ hoje em dia?

Apesar de a palavra república vir lá da Roma Antiga, essa forma de governo baseada na busca do bem de todos, é adotada ainda hoje por muitos países do mundo.

Mas, infelizmente, alguns historiadores e filósofos acreditam que, de tão antiga, essa palavra anda oca como um coco verde. Uma palavra oca é uma palavra que mantêm a casca das letras, mas por dentro é vazia de significado.

 

E você? Já conhece outras palavras que andam meio ocas?

Escreva pra gente a sua opinião ou envie o desenho de uma palavra oca. As respostas e desenhos mais legais vão aparecer nas nossas redes sociais.

Ah, não esquece de colocar o seu nome e a sua idade.

Nosso endereço eletrônico: contato@mangadevento.com.br

 

 

Pergunte a quem entende: prof. Adriano Freixo

Na seção Pergunte a quem entende, crianças enviam perguntas para um especialista no tema da edição. O convidado da vez é o professor de História Adriano Freixo, professor do Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (INEST – UFF).  Adriano é especialista em História das Relações Internacionais, mestre em História Política e doutor em História Social. Para escutar essa conversa super legal, clique abaixo:

 

 

Expediente:

Texto: Cibele Carvalho

Ilustração: Livia Arnaut e Laís Arnaut

Tratamento de imagens: Beatriz Monteiro

Editorial Mirim: Clarice (7 anos), Marina (6 anos) Beatriz Aya (8 anos), Lis (7 anos), Regina, Bia Novais (7 anos), Bernardo (7 anos), Theo (7 anos), Laura (7 anos), Maria (8 anos), Manuela (7 anos), Catharina (8 anos), Arthur (7 an0s), Laís, (6 anos) e Tereza (6 anos)

Convidado especial: Adriano Freixo

Agradecimentos: À Casa Viva e à professora Andrea Zica.

Esse número é dedicado à memória de Antônio Lício Arnaut.