O aniversário de 100 anos de Paulo Freire. Edição 19 (2021)

16 de setembro de 2021

Provavelmente, você aprendeu a ler e escrever através de bilhetes, receitas, histórias e outros tipos de textos que estão presentes na vida da gente. Na época dos seus avós, pode perguntar para eles, ensinava-se com cartilhas, um material didático que trazia textos assim:

Bitu bate bola
A bola bate no cavalo
O cavalo corre
Cavalo bobo
A bola bate no soldado
O soldado fica danado!

Ao utilizar essas cartilhas com adultos analfabetos, um educador brasileiro, chamado Paulo Freire, achou que esses textos não tinham nem pé, nem cabeça e que não interessavam seus alunos. Foi então que ele começou a experimentar outros recursos que deram muito certo, tão certo que passaram também a ser usados com crianças. 

Percebendo que o trabalho de Paulo Freire poderia ser um remédio para o analfabetismo (na década de 1960, quase 40% da população de adultos era analfabeta), o governo brasileiro convidou o educador para pensar soluções para esse problema que afligia o país. Acontece que veio o golpe militar (1964-1985) e Paulo Freire foi obrigado pelo governo ditatorial a sair do país.

Fora do Brasil, o educador trabalhou em diversos países da América, da Europa e da África, ganhando a relevância e o prestígio internacional que possui até hoje. Conquistou muitas distinções, como o Prêmio UNESCO da Educação para a Paz, recebeu a cidadania simbólica em outros países e ganhou um título de honra chamado “doutor honoris causa” de várias universidades, inclusive da Universidade de Bologna, uma das mais antigas do mundo.

Se estivesse vivo, Paulo Freire completaria 100 anos no dia 19 deste mês de setembro e, para comemorar, a Manga de Vento traz uma edição sobre as ideias desse educador que ainda hoje inspira as pessoas daqui e de todo o mundo.